O setor de comércio tornou-se o principal alvo de ataques impulsionados por inteligência artificial, com quase metade de todo o tráfego (47,9%) registrado na rede global da Akamai em dezembro de 2025 sendo composto por bots de IA, conforme relatório “Securing the Agentic Storefront: Attacks on Commerce”, publicado no dia 15 de julho. O estudo revela que, em 2025, o varejo sofreu quase 3 trilhões de ataques de negação de serviço (DDoS) na camada de aplicação, com o segmento de varejo respondendo por 84% desse volume.
Bots de IA e agentes autônomos
Segundo o relatório da Akamai, mais de 70% dos acionamentos de bots de IA no comércio são atribuídos a rastreadores de treinamento de grandes modelos de linguagem (LLMs). OpenAI, ByteDance e Anthropic são os três bots de IA mais observados. As organizações do setor colocaram mais de 90% da atividade de bots de IA na categoria “monitorar”, mas permitiram que três quartos da atividade restante passasse sem restrições, expondo-se a riscos. Patrick Sullivan, diretor de tecnologia de Estratégia de Segurança da Akamai, afirmou que a segurança precisa abraçar a “prontidão agêntica” para arquitetar sites que acolham agentes legítimos e ao mesmo tempo bloqueiem bots maliciosos.
Fraude agêntica e ataques a APIs
Agentes autônomos de compras criam um problema de mascaramento de sinais ao imitar perfeitamente microcomportamentos humanos, segundo Pam Lindemoen, diretora de Segurança e vice-presidente de Estratégia da RH-ISAC. As ameaças incluem o sequestro de agentes legítimos para abusar de credenciais de pagamento armazenadas e a criação de contas de identidade sintética “Frankenstein”, que contornam defesas estáticas. Os ataques a APIs cresceram 9% em relação ao ano anterior. O estudo de impacto em segurança de APIs da Akamai revelou que 85% dos entrevistados do setor de comércio sofreram pelo menos um incidente relacionado a APIs no último ano, mas apenas 22% sabem quais de suas APIs expõem dados sensíveis.
Phishing e malware industrializados
Entre novembro de 2025 e abril de 2026, malwares representaram 56,5% da atividade de ameaças em endpoints, seguidos por phishing com 37,6%. O volume diário médio de phishing no comércio saltou de 56.600 em fevereiro para 134.600 em abril, alimentando roubos de contas e pontos de fidelidade. A Akamai recomenda que as empresas mapeiem sua cadeia de receita, inventariem continuamente suas APIs, adotem governança baseada em risco para bots, implementem microssegmentação e integrem equipes de cibersegurança e prevenção a fraudes.






