A quarta edição da pesquisa de maturidade da auditoria interna, realizada pelo IIA Brasil em parceria com a KPMG entre novembro de 2025 e março de 2026, revelou que 46% das áreas de auditoria interna no país cumprem as normas internacionais e já passaram por avaliação externa de qualidade, ante 35% na edição anterior, conforme levantamento divulgado em julho de 2026. A pesquisa, que ouviu profissionais de diferentes níveis hierárquicos e segmentos da economia, aponta que a transformação operacional ainda não acompanha esse movimento: 45% das organizações não utilizam nenhum software de Governança, Riscos e Compliance (GRC) e 38% ainda não implementaram processos de auditoria contínua.
Maturidade concentrada nos níveis Fraco e Integrado
De acordo com o diagnóstico, 28% das organizações ainda estão classificadas no nível “Fraco” de maturidade, enquanto 22% alcançaram o estágio “Integrado” e 20% o nível “Avançado”, no qual a auditoria atua de forma conectada à estratégia do negócio e à gestão de riscos. Os especialistas afirmam que muitas empresas já estruturaram processos e fortaleceram a governança, mas ainda precisam desenvolver capacidades analíticas e tecnológicas para transformar informações em decisões mais rápidas e efetivas.
Desafios em capacitação e certificação
O percentual de empresas sem um plano formal de desenvolvimento para seus auditores caiu de 42% para 27%, segundo a pesquisa. No entanto, 71% das organizações ainda não possuem profissionais com a certificação internacional Certified Internal Auditor (CIA), uma das principais credenciais da profissão. O resultado indica que a evolução da área depende de investimentos mais consistentes em capacitação, especialização e desenvolvimento de competências voltadas ao uso de dados, tecnologia e riscos emergentes.
Resposta a recomendações e accountability
O percentual de organizações que implementam planos de ação em até 30 dias chegou a 44%, uma evolução significativa em relação à edição anterior, conforme o levantamento. Apesar disso, 55% das empresas ainda não utilizam a implementação dessas recomendações como indicador de desempenho para avaliação de seus executivos, limitando a consolidação de uma cultura de accountability e melhoria contínua.
“Quando falamos em maturidade da auditoria interna, não estamos falando apenas de processos ou conformidade. Estamos falando da capacidade de ajudar a empresa a tomar melhores decisões, antecipar riscos e responder mais rapidamente às mudanças do mercado”, afirma Paulo Roberto Gomes, diretor-geral do IIA Brasil. O executivo destacou que os resultados mostram avanço, mas também deixam claro que ainda existe um espaço importante para evoluir, principalmente no uso de tecnologia e no desenvolvimento das pessoas.






