Tecnologia pode ser grande obstáculo do próximo governo

Quadro dos analistas de TI do governo federal tem atualmente uma evasão da ordem de 50%
Da Redação
16/11/2022

A implantação de novas políticas públicas por parte do novo governo do Brasil, todas apoiadas por infraestrutura digital, corre o risco de, no mínimo, atrasar. O alerta é de Thiago Aquino, presidente da ANATI, a Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação: “Não há como se pensar em política pública sem pensar em tecnologia”, observa Aquino.

Neste momento, a associação está buscando atualizar a equipe de transição sobre esse e outros riscos que pairam atualmente sobre o setor de TI do governo federal: trabalham nele apenas 439 analistas, cada um administrando a execução de pelo menos 30 contratos de serviço, num quadro de pessoal que tem 50% de evasão. Esse e outros riscos foram apontados e dimensionados em junho deste ano pelo Tribunal de Contas da União no relatório “Lista de Alto Risco da Administração Pública Federal”.

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Segundo Aquino, a solução deverá incluir a criação de um plano de carreira que a torne atraente, especialmente em salários, já que muitos analistas abandonam a estabilidade de um emprego federal por um salário muito mais atraente na iniciativa privada.

O presidente da ANATI celebra que o Brasil tenha atingido a sétima posição no ranking GovTech Maturity Index 2020, publicado pelo Banco Mundial, que avaliou a transformação digital do serviço público em 198 países (e no de 2022 foi o segundo em maturidade de governo digital). Entretanto, pondera: “Boa parte do mérito dessa conquista é dos governos do PT, que criaram o cargo de Analista em Tecnologia da Informação e promoveram todos os reajustes salariais e concursos realizados até hoje para preenchimento das vagas”.

O analista de TI hoje é um dos cargos de gestão mais importantes do Estado, afirma Aquino, com especialistas em tecnologia que operam toda a transformação digital do Brasil, gerando uma economia de quase 4,5 bilhão ao ano aos cofres públicos segundo ele.

Existem, segundo ele, pontos críticos e de extrema atenção para o governo:

  • O Governo não tem um plano de carreira, uma remuneração justa e compatível com o mercado e nem incentivo no desenvolvimento e capacitação. Não é possível reter o servidor de Tecnologia no governo, havendo mais de 50% de evasão.
  • Única carreira na qual o governo mensalmente perde servidores para o mercado e para concursos de outros poderes e esferas de governo.
  • Não foram preenchidas as vagas nos últimos três concursos realizados no governo do PT, nos anos de 2009, 2013 e 2015.
  • Há insuficiência de servidores para a gestão dos inúmeros contratos e para a gestão de setores críticos e estratégicos, como a segurança da informação e a proteção de dados pessoais da população do País.

“Não conseguiremos avançar na transformação digital, conectar o Brasil e prover segurança cibernética sem investir no cargo de Analistas em Tecnologia da Informação”, conclui Aquino.

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