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Instagram Map expõe rotina de usuários no Brasil

Recurso liberado ontem (10 de junho) no Brasil permite compartilhar localização ativa com contatos, o que especialistas avaliam como risco de monitoramento indevido, stalking e ação de criminosos.

O Instagram passou a disponibilizar no país o Instagram Friend Map, ferramenta anunciada pela Meta em agosto de 2025 e testada desde 2024. O recurso atualiza a localização quando o aplicativo é aberto ou retorna ao primeiro plano, permitindo ao usuário compartilhar sua última posição ativa com contatos selecionados e visualizar publicações com marcação geográfica em um mapa dentro do app.

A empresa informa que o compartilhamento pode ser limitado a grupos específicos (amigos selecionados, Close Friends ou seguidores que seguem de volta) e que a funcionalidade vem desativada por padrão. Segundo a Meta, há controles parentais e a ferramenta não compartilha localização ao vivo sem consentimento explícito.

Especialista alerta para criação de “retrato da rotina” útil a criminosos

Priscila Meyer, CEO da Eskive e especialista em proteção de dados, afirma que o risco deixa de ser apenas técnico e passa a ser comportamental. “Quando uma rede social passa a incorporar localização de forma nativa, o usuário pode não perceber que está entregando um mapa da sua rotina, e não apenas um ponto no mapa”, disse Meyer.

A especialista explica que, mesmo sem exibição contínua, o acúmulo de marcas, horários e lugares frequentes cria um retrato útil para quem deseja vigiar, manipular ou se aproximar sem consentimento. “Em um cenário atual, isso pode servir para monitoramento indevido, stalking, assédio e até para facilitar a ação de criminosos que exploram hábitos previsíveis”, completa a executiva.

Cautela redobrada para perfis de menores de idade

O alerta ganha peso adicional na proteção de crianças e adolescentes. Em agosto de 2025, senadores dos EUA e procuradores-gerais de diversos estados criticaram o recurso por considerá-lo arriscado para menores, apontando possibilidade de uso por predadores.

“Quando falamos de adolescentes, a cautela precisa ser dobrada. Muitos jovens entendem a privacidade como um botão de ligar e desligar, mas não como um processo contínuo de gestão de risco”, observa Meyer. “Pais, responsáveis e educadores precisam tratar o Instagram Map como uma configuração sensível, não como um recurso de entretenimento.”

Recomendações seguem princípio da mínima exposição

A especialista recomenda que o usuário ative o recurso apenas se houver real necessidade e pleno entendimento dos riscos. As medidas principais incluem: revisar permissões de localização do celular, limitar o compartilhamento ao menor grupo possível, evitar expor rotinas repetitivas e desativar a função em ambientes ou situações sensíveis.

“Em rede social, localização não é detalhe; é dado pessoal de alto valor. A Meta diz que o recurso pode ser desligado a qualquer momento e que o usuário pode restringir quem vê sua posição, mas isso não elimina a necessidade de uso extremamente cauteloso”, finaliza Meyer.