Falha crítica no kernel Linux permite escalonamento de privilégios via XFS

Pesquisadores da Qualys Threat Research Unit (TRU) identificaram uma vulnerabilidade de escalonamento local de privilégios no kernel Linux, rastreada como CVE-2026-64600 e apelidada de RefluXFS. A falha, presente desde a versão 4.11 do kernel (2017), afeta sistemas que utilizam o sistema de arquivos XFS com reflink ativado, impactando mais de 16,4 milhões de sistemas mundialmente, de acordo com análise da Qualys CyberSecurity Asset Management.

A vulnerabilidade é uma condição de corrida no caminho de copy-on-write (CoW) do XFS. Um invasor com uma conta local sem privilégios pode acionar a falha e obter a capacidade de sobrescrever qualquer arquivo legível em um volume XFS no nível do bloco, o que se converte diretamente em privilégios de root. A exploração é confiável, não gera registros no kernel e sobrevive a reinicializações do sistema, conforme detalhou a Qualys em comunicado publicado ontem.

Sistemas afetados e impacto

A vulnerabilidade afeta distribuições que utilizam XFS como sistema de arquivos raiz com reflink ativado, incluindo configurações padrão de RHEL 8, 9 e 10, CentOS Stream, Oracle Linux, Rocky Linux, AlmaLinux, CloudLinux, Amazon Linux 2023 e Fedora Server 31+. Debian, Ubuntu e SUSE tornam-se expostos se o administrador selecionar manualmente o XFS durante a instalação. A Qualys confirmou que a exploração funciona mesmo com SELinux em modo Enforcing, e que medidas como KASLR, SMEP, SMAP, lockdown do kernel e seccomp não impedem o ataque.

A prova de conceito demonstrada pela Qualys em uma instalação padrão do RHEL 10.2 mostra um usuário sem privilégios utilizando a falha para sobrescrever arquivos protegidos, obtendo acesso root sem senha em segundos. As alterações persistem após reinicialização e não deixam rastros nos logs do kernel.

Correção e recomendações

Kernels corrigidos pelo fornecedor já estão disponíveis e sendo integrados às distribuições empresariais. A Qualys classifica a correção como prioridade emergencial e recomenda aplicação imediata dos patches com reinicialização do sistema. Não há mitigações temporárias ou alterações de configuração confiáveis para a vulnerabilidade.

A descoberta resultou de uma colaboração entre a Qualys e a Anthropic, integrando o modelo Claude Mythos Preview ao fluxo de auditoria manual, com supervisão rigorosa de pesquisadores humanos. O modelo identificou a condição de corrida e gerou uma prova de conceito funcional, que foi validada pela equipe de segurança da Qualys antes da divulgação coordenada.