Vazamento mostra como subornar delegados da FIFA

Paulo Brito
31/10/2019
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Documentos vazados no Telegram ensinariam como subornar representantes da FIFA para votarem na Rússia como sede da copa

Embora tenha terminado há mais de um ano, a Copa do Mundo de 2018 na Rússia continua gerando controvérsias, regadas a vazamentos de informações e casos de corrupção. Documentos com dados detalhados de algumas autoridades da FIFA foram publicados através do canal BlackMirror no Telegram, especificando como e a quem subornar na FIFA, antes da escolha da Rússia como sede da copa. Há também a descrição de um método para obter os votos necessários para vencer as eleições realizadas na organização. O documento mostra os nomes de alguns dos principais membros do comitê organizador da última copa na Rússia.

Em 2010, a Rússia venceu a eleição para organizar a Copa do Mundo de 2018 da FIFA, derrotando países como Inglaterra, Portugal e Espanha. Essa decisão foi objeto de polêmica desde o início, porque até Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, mencionou que essa eleição e também a do Catar para sede em 2022 provocaram um escândalo de corrupção. o que resultou na demissão de muitos altos funcionários da organização, incluindo o próprio Blatter.

Os vazamentos que aparecem no Telegram estão num total de cinco pastas, que incluem documentos como:

  • Uma carta do Vice-Diretor Geral do Comitê Organizador da Rússia 2018 a vários funcionários russos
  • Registros sobre os membros do Comitê Executivo da FIFA (em cada arquivo, são mencionados detalhes pessoais como grau de escolaridade, estado civil, etc., além de informações para tentar influenciar a votação).
  • Uma pasta com informações sobre outros “atores-chave” para o processo eleitoral do local da Copa do Mundo de 2018
  • Tabela que resume o itinerário dos membros do Comitê Executivo
  • Relatórios das reuniões do diretor do comitê

Segundo especialistas em segurança, esses novos vazamentos incluem documentos com informaçõçes sobre altos funcionários da FIFA, como os ex-ex-jogadores Franz Beckenbauer e Michel Platini. Os documentos contêm detalhadas instruções para suborná-los. Aparentemente, Fedor Radmann, consultor do futebol alemão, ofereceu aos russos o voto de Beckenbauer em troca de uma “recompensa generosa”, estimada em mais de 3 milhões de euros. No processo de Michel Platini, alega-se que foi possível influenciar seu voto por meio de alguns parceiros de negócios da UEFA (órgão europeu do futebol), a quem Platini supostamente devia alguns favores.

Especialistas em cibersegurança acham que esses arquivos teriam sido enviados por e-mail por um membro do comitê organizador da Copa do Mundo na Rússia a três altas autoridades russas, incluindo Arkady Dvorkovich, presidente do comitê.

Alexei Sorokin, que atuou como diretor do comitê desde que a candidatura da Rússia foi apresentada, há mais de dez anos, negou a veracidade dos vazamentos, afirmando que são acusações falsas e sem sentido. “Os documentos vazados mencionam autoridades russas como Sergei Kapkov, que nem sequer estava relacionado a esse processo; essas acusações parecem fabricadas ”, acrescentou o funcionário. É importante notar que a apresentação desses documentos não funciona como prova de que qualquer membro da FIFA recebeu dinheiro em troca de votar na Rússia como sede da copa do mundo de 2018. É apenas uma espécie de ‘instrutivo’ para influenciar uma decisão. No entanto, a questão não está encerrada, já que mais detalhes sobre o processo de votação das Copas de 2018 e 2022 ainda podem vazar no cnal Black Mirror do Telegram.

Com agências internacionais

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