Vazamento: 700GB da polícia argentina

Paulo Brito
16/10/2019
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A polícia e o governo argentinos estão fazendo uma investigação para descobrir quem baixou e publicou na dark web informações contidas em 700 Gigabytes de arquivos de propriedade da PFA, a Polícia Federal Argentina, e da Policía de la Ciudad de Buenos Aires.

O incidente se chama LaGorraLeaks, nome da conta Twitter (já deletada) que anunciou o vazamento e a exposição dos dados na noite de 11 de Agosto deste ano. O vazamento equivale aproximadamente ao conteúdo de 200 DVDs. São arquivos contendo fichas com os nomes e endereços de policiais, incluindo a de Néstor Roncaglia, o chefe da PFA; há também gravações telefônicas, vídeos e cerca de 200 mil arquivos em formato PDF.

O primeiro sinal da invasão apareceu na conta de Twitter da Prefeitura Naval Argentina, um misto de capitania e força policial que opera nos portos. Foi com essa conta que os hackers afirmaram ter as informações. E por meio dela começaram a distribuí-las. Para isso foi aberto um canal no Telegram, onde capturas de tela contendo dados foram publicadas.

Os hackers aproveitaram a conta para publicar informações falsas, como por exemplo a de que navios da marinha argentina haviam sido atacados por mísseis ingleses – uma alusão direta à guerra das Malvinas, ocorrida em 1982, na qual a Argentina tentou tomar o arquipélago das Malvinas e saiu derrotada, com a morte de 645 homens.

Especialistas que tiveram acesso ao material vazado disseram que os arquivos eram verdadeiros e que os mais novos haviam sido criados no máximo 30 dias antes.

Vários suspeitos já foram presos. O último deles foi o especialista Javier Smaldone, terça-feira dia 8 de outubro. Smaldone, que mora em Río Cuarto, província de Córdoba, ficou detido por cinco horas na Polícia Federal em Buenos Aires. Os policiais confiscaram seu celular e seus computadores. Smaldone ficou conhecido nos últimos anos por ser um ativo oponente do voto eletrônico, implantado pelo governo nos últimos anos. Destacou-se particularmente por suas críticas à empresa Smartmatic, que tem sede em Londres mas é controlada por empresários venezuelanos. Essa empresa forneceu os terminais de voto para as primárias que aconteceram em Agosto, na mesma seman do vazamento.

Não está claro se Smaldone foi preso por por causa do vazamento ou por tê-lo noticiado no Twitter. Segundo o portal de notícias argentino Perfil, até o momento foram solicitadas dez prisões.

As ações de LaGorraLeaks, contudo, não começaram agora, e por isso a sua conta do Twitter se chamava LaGorraLeaks2.0. Porque houve houve um incidente anterior. Em 26 de janeiro de 2017, a conta de Twitter da ministra da Segurança Patricia (Pato) Bullrich foi hackeada. Na época, o Ministério da Segurança informou que apenas a conta havia sido comprometida. Horas depois, porém, surgiram evidências de que o problema era mais sério e envolvia várias contas de e-mail do Ministério da Segurança, comprovadas por meio da publicação de imagens.

As investigações continuam e agora estão sendo ampliadas para a Smartmatic. Entre os problemas apontados por Smaldone, existem vulnerabilidades que comprometem a segurança do sistema de votação.

Com agências internacionais

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