Telegram e redes sociais viram alternativas para cibercriminosos

Estudo aponta que app de mensagens favorece as atividades ilegais: é totalmente legítimo, gratuito, de código aberto e baseado em nuvem
Da Redação
11/04/2022

Com os constantes fechamentos de e-commerces da dark web, como o Silk Road e o AlphaBay, e a dificuldade em atrair  mais clientes, as organizações criminosas estão usando as redes sociais e os aplicativos de mensagens  como alternativas para alcançar seus mercados. O exemplo mais emblemático de uso dessas plataformas por cibercriminosos é o Telegram, cujas características favorecem, e muito, as atividades ilegais: é totalmente legítimo, gratuito, de código aberto, baseado em nuvem e suas mensagens são instantâneas.

Estudo recente realizado pela ESET, empresa de detecção de ameaças, analisa como produtos e serviços ilegais são promovidos sem reservas e vendidos nos aplicativos de mensagem e nas redes sociais que, por darem uma aparência de legalidade, estão levando a um aumento das atividades ilícitas. 

A análise aponta que o Telegram ganhou enorme popularidade por oferecer mensagens e chamadas criptografadas de ponta a ponta, fazendo com que os dados não possam ser acessados ​​por provedores de serviços de internet (ISPs) e outros. Segundo a ESET, a plataforma atraiu a atenção de criminosos aproveitando essas opções de privacidade. Tudo é oferecido, desde drogas, dinheiro falso, detalhes de cartões de crédito roubados e outros dados pessoais. Alguns fornecedores também estão oferecendo certificados falsos de vacinação covid-19 ou certificados para permitir viagens, cada um por cerca de US$ 260.

“Esses grupos do Telegram podem ser encontrados em questão de minutos e com apenas alguns cliques. O que talvez seja ainda mais desconcertante é o número de usuários que essa informação atinge, pois alguns grupos têm centenas de milhares de membros, abrindo o novo mercado ilegal para um grande público. No entanto, isso não está acontecendo apenas no Telegram. Grupos do TikTok também oferecem drogas abertamente. Medicamentos classe A podem ser encontrados nesses sites em segundos, com a facilidade que implica a possibilidade de usar o chat para perguntar o que você procura”, afirma Camilo Gutiérrez Amaya, chefe do Laboratório de Pesquisa da ESET na América Latina.

O estudo da ESET destaca que esses golpes operam em escala global. Comparado à dark web, comprar por meio de redes sociais pode parecer menos perigoso, ou até lícito, e isso é destacado pela ESET como parte do problema. “Uma aparência de respeitabilidade pode encorajar vendedores e compradores, levando a um aumento na atividade ilícita. Infelizmente, essas vendas geralmente financiam mais crimes e o ciclo continua”, acrescenta Gutiérrez.

Segundo o executivo, os cibercriminosos estão usando a proteção de privacidade subjacente no Telegram e em outros serviços, junto com o uso de redes privadas virtuais (VPNs) e outras ferramentas para evitar a captura. Ele diz que é difícil rastrear aqueles que usam o Telegram para fins maliciosos. “E mesmo que os dispositivos fossem apreendidos — e, de tempos em tempos, grandes operações conseguem fazer isso —, é improvável que haja evidências suficientes ou concretas nos dispositivos devido à capacidade de configurar mensagens que desaparecem e outras técnicas populares”, diz Gutiérrez.

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Ele salienta que as comunicações devem ser criptografadas e privacidade deve ser protegida para melhorar a segurança cibernética. Segundo Gutiérrez, o Telegram pode e já filtrou algumas palavras-chave que não são permitidas, mas a forma como a comunidade criminosa contorna isso é criando novas palavras para produtos e serviços permanecerem na pesquisa. 

“Infelizmente, onde há mercado, sempre haverá um caminho. O Telegram e alguns outros serviços de redes sociais provavelmente continuarão sendo usados ​​para o mercado ilegal. Com software e técnicas agora amplamente disponíveis, para até mesmo apagar qualquer indício de evidência, está claro que estamos eliminando longe da solução contra estes crimes. Plataformas que oferecem privacidade sempre serão exploradas por quem quer se esconder nas sombras, por isso é vital que todos estejamos cientes do problema”, conclui.

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