Apenas 38% dos líderes de Infraestrutura e Operações (I&O) acreditam que suas infraestruturas atuais estão preparadas para as novas exigências da inteligência artificial, revela o relatório Crucial Conversations: The I&O Line of Sight. Publicado pela Netskope, empresa líder em segurança e redes em nuvem, o levantamento aponta que o descompasso entre a pressão por inovação e a capacidade operacional é agravado por recursos limitados, com apenas 18% dos gestores confiantes de que possuem equipe e orçamento adequados.
A IA está acelerando a demanda sobre os sistemas corporativos em um ritmo para o qual as tecnologias legadas nunca foram projetadas, afirma Mike Anderson, Diretor de Informação e Digital da Netskope. Segundo o executivo, essa pressão é amplificada por uma lacuna de comunicação em que a alta liderança exige resiliência, enquanto as equipes técnicas enfrentam dificuldades para entregar segurança e confiabilidade sob restrições orçamentárias severas.
Líderes de TI enfrentam expectativas irrealistas da gestão
O estudo da Netskope destaca que 80% dos líderes de I&O sentiram um aumento nas expectativas da diretoria nos últimos 12 meses. No entanto, o desalinhamento estratégico é evidente: 63% desses profissionais sentem-se distantes das conversas estratégicas e 59% consideram as metas de segurança da alta administração irrealistas diante das limitações tecnológicas atuais das organizações.
“O caminho a seguir começa com a tradução das decisões de infraestrutura em termos de negócios”, pondera Mike Anderson. De acordo com ele, é fundamental que a modernização seja vista como uma forma de reduzir riscos e melhorar a agilidade, transformando a TI em uma vantagem estratégica. O executivo alerta que a mentalidade defensiva de muitas empresas — o conceito de “em time que está ganhando não se mexe” — ainda trava investimentos essenciais em 60% das organizações.
Apesar da IA dominar as pautas do board, as equipes de I&O ainda priorizam desafios estruturais de longa data, como o fortalecimento da segurança no acesso remoto (43%) e a visibilidade de rede (35%). Essas tarefas precedem as iniciativas de adoção de IA, indicando que a base da infraestrutura precisa de estabilidade antes que camadas mais complexas de tecnologia possam ser integradas com sucesso à rotina operacional.
Para mitigar essa desconexão, o estudo recomenda que os líderes técnicos participem ativamente do planejamento estratégico e promovam arquiteturas simplificadas. Ao desmistificar o ambiente de TI para a alta liderança por meio de relatórios transparentes, a área de infraestrutura se posiciona como facilitadora de uma adoção segura e ágil da IA, finaliza Anderson.






