O setor de energia elétrica tem representado a maior parcela dos incidentes registrados em operações de ICS-SOC, respondendo por mais de 30% do total de alertas monitorados pela TI Safe, empresa brasileira especializada em cibersegurança de sistemas críticos. A posição de destaque reflete a alta criticidade desse segmento, sua forte conectividade com outras cadeias essenciais e o potencial impacto econômico e social causado por interrupções. Em ambientes monitorados por plataformas de inteligência artificial como a Safer, desenvolvida pela própria TI Safe, o volume de tentativas de ataque costuma alcançar milhões de eventos por trimestre. Esse universo inclui varreduras automatizadas, tentativas de exploração de vulnerabilidades conhecidas e outras atividades maliciosas identificadas por sistemas de vigilância contínua 24 horas por dia, sete dias por semana.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe e especialista em cibersegurança de infraestruturas críticas, explica que a digitalização crescente da rede elétrica, com smart grids, automação e integração de fontes renováveis ampliou significativamente a superfície de ataque, especialmente porque protocolos industriais antes isolados passaram a operar em redes interconectadas, muitas vezes sem mecanismos robustos de autenticação. “Nesse cenário, ataques potencializados por inteligência artificial podem explorar essas interdependências e evoluir de uma intrusão digital para falhas físicas e até apagões”, diz.
Marcelo aponta que centros de controle operacional, subestações e usinas são pontos críticos, já que decisões digitais nesses ambientes produzem efeitos físicos imediatos. “A manipulação de dados operacionais, telemetria ou parâmetros de controle pode induzir decisões equivocadas e provocar instabilidade sistêmica. Em redes inteligentes, a grande quantidade de sensores e dispositivos conectados aumenta a exposição, permitindo ataques coordenados que geram oscilações de tensão, desligamentos seletivos ou instabilidade regional”, alerta.
Outro ponto central, reforça Branquinho, é que a segurança cibernética no setor elétrico está diretamente ligada à continuidade operacional e à conformidade regulatória, exigindo monitoramento contínuo, segmentação de rede, gestão rigorosa de acessos e capacidade estruturada de resposta a incidentes. “Assim, a proteção não é apenas uma questão tecnológica, mas um elemento essencial para garantir estabilidade do sistema elétrico e evitar impactos sistêmicos em toda a economia”, afirma.
Para mitigar ataques, o CEO da TI Safe corrobora o uso crescente de IA defensiva como componente central das estratégias de proteção. “Soluções baseadas em inteligência artificial permitem monitorar continuamente redes de operação, identificar comportamentos anômalos em sistemas industriais e correlacionar eventos em tempo real, antecipando tentativas de intrusão antes que causem impactos físicos”, orienta.
Essas ferramentas, diz ele, também automatizam respostas, como isolamento de subestações comprometidas, bloqueio de comandos suspeitos e priorização de alertas críticos para equipes de segurança. “A IA defensiva pode aprender com padrões históricos de operação do sistema elétrico, detectando desvios sutis em telemetria e fluxos de energia que poderiam indicar manipulação maliciosa. Combinada com segmentação de rede, autenticação forte e planos robustos de resposta a incidentes, essa abordagem fortalece a resiliência da infraestrutura energética e reduz o risco de interrupções em larga escala”, defende.
Na hierarquia das áreas essenciais, o setor energético é soberano: ele sustenta telecomunicações, que suportam finanças, que por sua vez viabilizam cadeias logísticas que abastecem saúde, indústria e agronegócio; governos coordenam todos esses fluxos e sistemas tecnológicos permeiam transversalmente cada um deles. “O resultado é um ecossistema sistêmico altamente acoplado, no qual a falha significativa de um setor pode desencadear uma sequência de impactos progressivos em outros domínios aparentemente distintos. A digitalização ampliou exponencialmente essa interdependência, pois conectou camadas antes isoladas e introduziu integrações em tempo real entre sistemas industriais, plataformas corporativas e serviços em nuvem”, alerta Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe e especialista em cibersegurança de infraestruturas críticas.






