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Rússia enfrenta risco de apagão de armazenamento de dados 

Com saída de provedores de nuvem ocidentais, previsão é que dentro de mais dois meses o governo e as empresas nacionais fiquem sem ter como armazenar seus dados
Da Redação
17/03/2022

A saída de provedores de nuvem ocidentais da Rússia, por conta da invasão à Ucrânia, vem fazendo com que o país enfrente uma crise de armazenamento de TI sem precedentes. A previsão é que dentro de mais dois meses o governo e as empresas nacionais fiquem sem ter como armazenar seus dados.

O governo russo vem buscando várias “soluções” para resolver o problema, que vão desde a locação de toda a infraestrutura de armazenamento de dados doméstica disponível até a apreensão de recursos de TI deixados para trás por empresas que saíram do país. As medidas foram anunciadas durante reunião realizada no Ministério da Transformação Digital, com a presença de representantes do Sberbank, MTS, Oxygen, Rostelecom, Atom-Data, Croc e Yandex.

De acordo com a agência de notícias russa Kommersant, que afirma ter fontes que confirmam a reunião e o anúncio das medidas, o governo russo estima que restam cerca de dois meses antes que todo o espaço de armazenamento disponível se esgote.

Devido às sanções impostas pelos Estados Unidos, todas as empresas russas foram forçadas a recorrer a provedores domésticos de serviços de armazenamento em nuvem depois que os serviços ocidentais de armazenamento cortaram os laços comerciais com o país.

Por exemplo, as necessidades de armazenamento da operadora móvel russa MegaFon aumentaram cinco vezes, a MTS dez vezes e a VK teve que buscar 20% mais recursos de armazenamento em apenas uma semana. Isso criou um problema prático intransponível, pois não há data centers suficientes na Rússia para acomodar as necessidades das operadoras locais, portanto, é necessária uma solução para a crise de armazenamento no país.

A Kommersant explica ainda que a situação coincide com o crescimento exponencial das necessidades de armazenamento das agências públicas russas devido a projetos de “cidade inteligente” envolvendo extensos sistemas de vigilância por vídeo e reconhecimento facial.

Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento Digital alterou a Lei Yarovaya de 2016 para suspender uma exigência de que as operadoras de telecomunicações aumentem as alocações de capacidade de armazenamento em 15% para fins de vigilância antiterrorista.

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Outra medida que vem sendo estudada pelo governo russo para liberar espaço de armazenamento, segundo as fontes da Kommersant, seria exigir que os provedores de serviços de internet (ISPs) abandonem os serviços de streaming de mídia e outras plataformas de entretenimento online que consomem recursos de armazenamento preciosos.

Uma opção que também foi aventada seria comprar todo o armazenamento disponível dos centros de processamento de dados domésticos. No entanto, isso provavelmente levará a mais problemas para os provedores de entretenimento que precisam de armazenamento adicional para adicionar serviços e conteúdo.

A Rússia também está considerando confiscar servidores e sistemas armazenamento deixados para trás por empresas que saíram do país e integrá-los à infraestrutura pública.

De acordo com a mídia local, o ministério está atualmente analisando quantos recursos seriam disponibilizados se o governo promulgasse tais políticas. Um procedimento rápido será então desenvolvido se forem suficientes para suportar operações de missão crítica.

A opção final seria recorrer a provedores de serviços em nuvem chineses e a fornecedores de sistemas de TI, mas isso atualmente é complicado porque a China ainda não decidiu o quanto está disposta a ajudar a Rússia e em quais setores. A Huawei teria suspendido suas vendas de equipamentos para a Rússia até o dia 26 deste mês. No entanto, sendo ela própria sancionada pelos EUA e impedida de lançar 5G nos países da União Europeia, a empresa de tecnologia chinesa pode aproveitar a oportunidade de negócios para preencher o vazio deixado ao sair concorrentes ocidentais.

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