Relatório da Interpol faz alerta sobre expansão do ‘metacrime’

Novo white paper da polícia criminal internacional fornece uma análise aprofundada sobre o uso do metaverso para aliciamento, radicalização e ataques cibernéticos
Da Redação
23/01/2024

Uma análise abrangente sobre os principais desafios, ameaças e danos, do ponto de vista da aplicação da lei, praticados por cibercriminosos por meio do metaverso é descrita em um novo white paper publicado pela Interpol. O documento identifica o que a polícia criminal internacional chama de metacrimes, atuais e potenciais, tais como aliciamento de pessoas, radicalização e ataques ciber-físicos contra infraestruturas críticas, bem como o roubo de propriedade virtual/cultural 3D, invasão de espaços virtuais privados e roubo de avatares.

A Interpol cita como desafios para combater os metacrimes a falta de padronização e interoperabilidade; mundos virtuais abrangendo múltiplas jurisdições; e a complexidade de acesso ao metaverso por meio de múltiplos dispositivos e sistemas. O documento salienta que a polícia pode ser confrontada com cenas de crimes virtuais em que não há provas físicas a recolher — apenas interações digitais envolvendo ativos virtuais, como criptomoedas e tokens não fungíveis (NFT). Esses ambientes online são dinâmicos, o que significa que as evidências podem facilmente desaparecer ou parecer alteradas.

No entanto, o documento da Interpol também observa que o metaverso oferece oportunidades para a aplicação da lei, que vão desde a simulação avançada e a preservação virtual da cena do crime até à formação imersiva. O white paper sublinha ainda a necessidade de os socorristas, especialistas forenses digitais e o sistema judicial como um todo compreenderem o metaverso e a tecnologia associada para garantir a segurança do ambiente virtual e proteger os direitos individuais. 

“A ascensão de tecnologias poderosas como o metaverso está tornando o cenário criminal cada vez mais complexo e transnacional, colocando novos desafios para a aplicação da lei”, destaca Jürgen Stock, secretário-geral da Interpol. “Estamos vendo o metaverso e a inteligência artificial oferecerem novas oportunidades para atividades criminosas, para as quais o mundo não está totalmente preparado. A Interpol continua comprometida em ser a voz da comunidade global de aplicação da lei para garantir a segurança do mundo virtual”, completa.

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A Interpol defende que seja feita uma abordagem holística, profunda, para o problema, abrangendo múltiplas jurisdições, dimensões e organizações,  de maneira que envolva o múltiplas partes interessadas e a colaboração transfronteiriça — essencial — para uma resposta eficaz da aplicação da lei ao metacrime.

No documento a Interpol diz que sua ambição é ajudar os países membros a compreender os desafios e as oportunidades oferecidas pelas tecnologias emergentes, bem como garantir que a aplicação da lei tenha as ferramentas e a formação para montar uma resposta eficaz a este cenário de criminalidade em evolução.

Lançado durante o Fórum Econômico Mundial, como parte da sessão “Tecnologias de Próxima Geração e Segurança Global”, o documento foi desenvolvido com contribuições do Grupo de Especialistas em Metaverso da Interpol, composto por representantes de autoridades policiais, de governos, do setor privado, academia e organizações internacionais.

Em outubro de 2022, a Interpol lançou o primeiro ambiente no metaverso projetado especificamente para autoridades policiais de todo o mundo, oferecendo cursos de treinamento imersivos.

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