Redes do Vaticano foram invadidas pela China, acusa relatório

Especialistas da Recorded Future localizaram ação contra redes no Vaticano e em Hong Kong
Da Redação
30/07/2020
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Desde o início de maio de 2020, o Vaticano e a Diocese de Hong Kong estiveram entre as organizações relacionadas à Igreja Católica que foram alvo do RedDelta, um grupo de hackers (APT ou advanced persistent threat na siglal em inglês) patrocinado pelo governo chinês, cujas atividades são rastreadas há meses pelo Insikt Group, um grupo de pesquisadores veteranos da empresa Recorded Future. As invasões de rede também alcançaram o Pontifício Instituto para Missões Estrangeiras (PIME), na Itália, segundo o grupo. As informações fazem parte de um relatório publicado ontem pela Recorded Future.

Essas organizações não eram conhecidas como alvos dos APTs chineses antes desta campanha. As invasões de rede ocorrem antes da renovação, prevista para setembro de 2020, do marco provisório China-Vaticano, um acordo que resultou em maior controle do Partido Comunista Chinês sobre a comunidade católica “underground”, historicamente perseguida no país. Outro alvo provável da campanha é o atual chefe da Missão de Estudo de Hong Kong na China, uma iniciativa do Vaticano, cujo antecessor foi considerado como tendo desempenhado um papel vital no acordo entre a Santa Sé e o governo chinês.

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O Vaticano não fez comentários imediatos. O Ministério das Relações Exteriores da China negou qualquer envolvimento, chamando o relatório de ‘especulação infundada’.

“A suspeita de invasão no Vaticano ofereceria à RedDelta uma visão da posição negocial da Santa Sé antes da renovação do acordo de setembro de 2020”, afirmou o relatório. Também poderia fornecer “informações valiosas” sobre a posição das entidades católicas de Hong Kong no movimento pró-democracia. Os ataques continuaram pelo menos até 21 de julho. Eles incluíram uma aparente tentativa de phishing com um documento em papel timbrado da Secretaria de Estado do Vaticano, dirigido ao chefe da Missão de Estudos de Hong Kong na China.

Os estimados 12 milhões de católicos da China estão divididos entre os pertencentes à Associação Patriótica Católica Chinesa, apoiada pelo governo, que não está sob a autoridade do papa, e uma igreja oculta, leal ao papa. Padres e paroquianos clandestinos são freqüentemente detidos e perseguidos diz o documento.

O acordo histórico de 2018 entre a Santa Sé e a China sobre nomeações de bispos teve como objetivo “unir o rebanho”, regularizando o status de sete bispos que não eram reconhecidos por Roma e encerrando décadas de distanciamento entre a China e o Vaticano. Mas alguns dos fiéis clandestinos da China têm profundas reservas sobre o acordo, vendo-o como um favorecimento ao governo comunista e uma traição de sua longa lealdade ao papa.

A China nega rotineiramente a participação em um programa patrocinado pelo Estado para roubar segredos comerciais ou informações sensíveis do governo pela Internet, e diz que está entre as maiores vítimas de ataques de hackers. Os EUA contestam isso e dizem que rastrearam invasões cibernéticas aos militares chineses. No início deste mês, Washington indiciou dois cidadãos chineses por supostamente terem iniciado ataques de hackers contra empresas nos EUA e em outros países.

O Departamento de Justiça também disse que hackers que trabalham com o governo chinês têm como alvo empresas que desenvolvem vacinas para o coronavírus. A China diz que Washington não forneceu informações para apoiar as acusações.

Com agências internacionais

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