Perdas com incidentes de segurança somam US$ 1 trilhão

Prejuízo das empresa globalmente em 2022 foi agravado pelas quedas de dois dígitos nos preços das ações e no valor de mercado dessas companhias, segundo relatório
Da Redação
14/09/2023

Um novo relatório divulgado segunda-feira, 12, pela Allied Universal diz que os incidentes de segurança custaram às empresas de US$ 1 trilhão globalmente em 2022, prejuízo agravado pelas quedas de dois dígitos nos preços das ações e no valor de mercado dessas companhias. Para o próximo ano, a avaliação da fornecedora americana de segurança privada e pessoal é que as turbulências econômicas terão o maior impacto na segurança física e lógica.

O “Relatório de Segurança Mundial” da Allied, elaborado conjuntamente com seu braço internacional G4S, se baseia nas opiniões de 1.775 diretores de segurança (OSCs) entrevistados em 30 países. As grandes empresas globais pesquisadas têm uma receita anual combinada de mais de US$ 20 trilhões.

O estudo define as turbulências econômicas — recessão, inflação, aumento das taxas de juro e similares — como um dos maiores riscos à segurança e que podem provocar agitações sociais. As questões econômica foram citadas por 47% dos executivos entrevistados como o maior risco à segurança no próximo ano, contra 39% no ano anterior. As mudanças climáticas estão em alta e são o segundo quesito mais preocupante, com 38% dizendo que podem ser impactados no próximo ano, seguidas por agitação social (citada por 35%), interrupção do fornecimento de energia (33%) e instabilidades políticas ou guerras (32%).

Apesar do cenário de incertezas, os diretores de segurança preveem que os orçamentos de segurança física e lógica aumentarão significativamente para “manter as pessoas, propriedades e ativos seguros”. No ano passado, os orçamentos de segurança responderam por aproximadamente US$ 660 bilhões da receita global das empresas entrevistadas. Para 2024, a expectativa de 46% das organizações é que haja um aumento significativo.

Os OSCs disseram que pretendem concentrar os investimentos em tecnologia avançada e fornecer aos profissionais de segurança habilidades e treinamento adicional. A inteligência artificial (IA) está no topo da agenda para futuros investimentos em tecnologia de segurança, com 42% pretendendo investir em IA e vigilância alimentada por IA nos próximos cinco anos.

A fraude provavelmente será a maior ameaça externa no próximo ano — prevista por 25% dos OSCs — e o vazamento de informações sensíveis é visto como a maior ameaça interna, de acordo com 36% dos entrevistados. Já as ameaças de hackers e manifestantes, parte de um primeiro grupo, e de espiões e criminosos econômicos, integrantes de um segundo grupo, devem aumentar, com 50% e 49% dos entrevistados, respectivamente, prevendo que serão impactados por esses grupos.

O uso indevido de recursos ou dados de empresas foi o incidente interno mais comum, com 35% das organizações tendo experimentado um evento nos últimos 12 meses. Os OSCs também citam as ameaças cibernéticas que impactam os sistemas de segurança física como um desafio para as operações, de acordo com nove em cada dez entrevistados.

Ainda de acordo com a pesquisa, uma em cada quatro (25%) empresas relatou queda em seu valor de mercado após um incidente de segurança, externo ou interno, nos últimos 12 meses. Além dos OSCs, 200 investidores institucionais foram entrevistados para entender o impacto de incidentes de segurança no valor das empresas de capital aberto. Os investidores estimaram uma queda média de 29% no preço das ações após um incidente significativo de segurança, interno ou externo.

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“Encomendamos este relatório para o benefício de toda a indústria e das empresas que protegemos. Ele ocorre em um momento em que as organizações em todo o mundo estão cada vez mais navegando [envoltas] em perigos e ameaças de segurança mais complexos. A pesquisa mostra que o impacto das ameaças à segurança nas organizações é multidimensional — desde a interrupção da produtividade a perda de clientes, até o impacto financeiro potencialmente impressionante”, disse Steve Jones, presidente e CEO global da Allied Universal.

Ashley Almanza, presidente executivo da G4S, enfatizou que as empresas globais estão enfrentando ameaças crescentes à segurança, além de um mercado de trabalho reduzido globalmente e a tecnologia em rápida mudança, o que enseja novos riscos e requer habilidades diferentes. “Além disso, os conselhos executivos estão lutando para equilibrar o físico e a segurança cibernética ao lado de outras prioridades. O Relatório de Segurança Mundial ajuda toda a nossa indústria e a comunidade empresarial em geral a entender e operar melhor no cenário de segurança desafiador, global e em rápida mudança.”

Outras conclusões do relatório:

• Os OSCs relataram uma desconexão entre os incidentes de segurança física e a importância dada a eles no âmbito do conselho de administração: nove em cada dez OSCs disseram que os líderes das empresas estão mais preocupados com a segurança cibernética do que com a segurança física.

• Oito em cada dez (84%) disseram que o recrutamento de profissionais de segurança será desafiador nos próximos cinco anos.

• Nove em cada dez (92%) disseram que as habilidades das pessoas são mais importantes do que os atributos físicos de força nos profissionais de segurança da linha de frente.

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