Nova campanha do Emotet contorna bloqueios da Microsoft

Operadores do trojan têm explorado maneiras alternativas de distribuir arquivos maliciosos desde que a Microsoft anunciou que bloqueará macros de arquivos do Office
Da Redação
13/04/2023

Uma nova campanha do trojan Emotet, que se tornou o segundo malware mais predominante no ranking do Índice Global de Ameaças referente ao mês de março da Check Point Research (CPR), contorna os bloqueios de macros da Microsoft para distribuir arquivos maliciosos do OneNote.

Conforme relatado no início deste ano, os operadores do Emotet têm explorado maneiras alternativas de distribuir arquivos maliciosos desde que a Microsoft anunciou que bloqueará macros de arquivos do Office. Na última campanha, os operadores do malware adotaram uma nova estratégia de envio de e-mails de spam contendo um arquivo malicioso do OneNote. Uma vez aberta, uma mensagem falsa aparece para induzir a vítima a clicar no documento, o qual baixa a infecção do Emotet. Depois de instalado, o malware pode coletar dados de e-mail do usuário, como credenciais de login e informações de contato. Os cibercriminosos usam as informações coletadas para expandir o alcance da campanha e facilitar ataques futuros.

“Embora as grandes empresas de tecnologia façam o possível para eliminar os cibercriminosos o quanto antes, é quase impossível impedir que todos os ataques ignorem as medidas de segurança. Sabemos que o Emotet é um cavalo de Troia sofisticado e não é nenhuma surpresa ver que ele conseguiu navegar pelas mais recentes defesas da Microsoft. A coisa mais importante que as organizações e as pessoas podem fazer é garantir que tenham segurança de e-mail adequada, evitar o download de arquivos inesperados e adotar um ceticismo saudável sobre as origens de um e-mail e seu conteúdo”, explica Maya Horowitz, vice-presidente de pesquisa da Check Point Software.

No Brasil, o Emotet aparece em quinto lugar no ranking de top malware com 5% de impacto (o impacto global é de 3,90%); em fevereiro este malware figurava na sétima posição. Então, a nova campanha do Emotet em março para escapar do bloqueio de macros da Microsoft, enviando e-mails de spam contendo arquivos maliciosos do OneNote, o fez avançar no ranking.

Contudo, os brasileiros devem continuar atentos também em relação ao malware Qbot, um cavalo de Troia sofisticado que rouba credenciais bancárias e digitação de teclado. O Qbot segue na liderança da lista nacional pelo quarto mês consecutivo e com alto impacto nas organizações no Brasil com índices de 16,58% em dezembro de 2022, 16,44% em janeiro de 2023, 19,84% em fevereiro e 21,63% em março. Estes índices do Qbot têm se mantido praticamente o dobro em relação aos respectivos globais.

A equipe da CPR também revelou que a “Apache Log4j Remote Code Execution” foi a vulnerabilidade global mais explorada em março, impactando 44% das organizações em todo o mundo, seguida pela “HTTP Headers Remote Code Execution”, com um impacto de 43%; enquanto a “MVPower DVR Remote Code Execution” foi a terceira vulnerabilidade mais usada, com um impacto global de 40%.

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Falsos arquivos do pacote Office contêm malware Emotet
Arquivos do Excel usados de novo em campanha do Emotet

Principais famílias de malware

* As setas referem-se à mudança na classificação em comparação com o mês anterior.

Em março passado, o Qbot foi o malware mais difundidos no mês com um impacto de mais de 10% das organizações em todo o mundo, seguido pelo Emotet e Formbook ambos com 4%.

↔ Qbot – Qbot AKA Qakbot é um cavalo de Troia bancário que apareceu pela primeira vez em 2008, projetado para roubar as credenciais bancárias e as teclas digitadas do usuário. Geralmente é distribuído por e-mails de spam e emprega várias técnicas antiVM, antidepuração e antisandbox para dificultar a análise e evitar a detecção.

↑ Emotet – É um trojan avançado, auto propagável e modular. O Emotet era anteriormente um trojan bancário e recentemente foi usado como distribuidor de outros malwares ou campanhas maliciosas. Ele usa vários métodos para manter técnicas de persistência e evasão para evitar a detecção. Além disso, ele pode se espalhar por e-mails de spam de phishing contendo anexos ou links maliciosos.

 Formbook – É um infostealer direcionado ao sistema operacional Windows e foi detectado pela primeira vez em 2016. É comercializado como malware-as-a-service (MaaS) em fóruns de hackers ilegais por suas fortes técnicas de evasão e preço relativamente baixo. O FormBook coleta credenciais de vários navegadores da Web, captura telas, monitora e registra digitações de teclas e pode baixar e executar arquivos de acordo com as ordens de seu C&C (Comando & Controle).

A lista global completa das dez principais famílias de malware em fevereiro de 2023 pode ser encontrada blog da Check Point Software.

Quanto aos setores, em março, educação/pesquisa firmou-se na liderança da lista como o setor mais atacado globalmente, seguido por governo/militar e saúde. Estes três setores ocupam estas mesmas posições na lista global da Check Point Software desde o mês de agosto de 2022. Eles também foram os setores mais visados no Brasil.

Principais vulnerabilidades exploradas

Em março, a equipe da CPR também revelou que a “Apache Log4j Remote Code Execution” foi a vulnerabilidade mais explorada, impactando 44% das organizações no mundo, seguida pela “HTTP Headers Remote Code Execution”, ocupando o segundo lugar com impacto global de 43% das organizações. A “MVPower DVR Remote Code Execution” ocupou o terceiro lugar das vulnerabilidades com um impacto global de 40%.

↑Apache Log4j Remote Code Execution (CVE-2021-44228) – Existe uma vulnerabilidade de execução remota de código no Apache Log4j. A exploração bem-sucedida dessa vulnerabilidade pode permitir que um invasor remoto execute código arbitrário no sistema afetado.

↑HTTP Headers Remote Code Execution (CVE-2020-10826,CVE-2020-10827,CVE-2020-10828,CVE-2020-13756) – Os cabeçalhos HTTP permitem que o cliente e o servidor passem informações adicionais com uma solicitação HTTP. Um invasor remoto pode usar um cabeçalho HTTP vulnerável para executar um código arbitrário na máquina da vítima. 

↑MVPower DVR Remote Code Execution  Existe uma vulnerabilidade de execução remota de código em dispositivos MVPower DVR. Um atacante remoto pode explorar essa fraqueza para executar código arbitrário no roteador afetado por meio de uma solicitação criada.

Principais malwares móveis

Em março, o AhMyth subiu para o primeiro lugar como o malware móvel mais difundido, seguido por Anubis e Hiddad.

1.AhMyth é um trojan de acesso remoto (RAT) descoberto em 2017. Ele é distribuído por meio de aplicativos Android que podem ser encontrados em lojas de aplicativos e vários sites. Quando um usuário instala um desses aplicativos infectados, o malware pode coletar informações confidenciais do dispositivo e executar ações como keylogging, captura de tela, envio de mensagens SMS e ativação da câmera, que geralmente é usada para roubar informações confidenciais.

2.Anubis é um cavalo de Troia bancário projetado para smartphones Android. Desde que foi detectado inicialmente, ele ganhou funções adicionais, incluindo a funcionalidade remote access trojan (RAT), keylogger, recursos de gravação de áudio e vários recursos de ransomware. Foi detectado em centenas de aplicativos diferentes disponíveis na Google Store.

3.Hiddad é um malware Android que reembala aplicativos legítimos e os libera em uma loja de terceiros. Sua principal função é exibir anúncios, mas também pode obter acesso aos principais detalhes de segurança incorporados ao sistema operacional.

Os principais malwares de março no Brasil

Em março, o ranking de ameaças do Brasil teve como principal malware o Qbot com impacto de 21,63%, pelo quarto mês consecutivo um índice que foi mais que o dobro do impacto global (10,30%). O AgentTesla subiu para o segundo lugar com impacto de 7,16%, enquanto o Remcos foi para o terceiro lugar com impacto de 6,49%.

Fonte: Check Point Software

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