Ministério da Saúde migra dados para nuvem, melhora segurança

Paulo Brito
03/05/2020
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no pinterest

Migração foi feita pela Embratel, com uma tecnologia que adota blockchain para fidelidade da transmissão, garantindo que cada bit da origem estará presente no destino

Os dados do Ministério da Saúde em geral, e os do SUS em particular, ganharam mais segurança ao final de Abril: eles migraram de servidores do próprio Ministério para a nuvem da AWS, numa operação orquestrada pela Embratel. A empresa comunicou a migração e sua disponibilização “com segurança e estabilidade na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), projeto do Conecte SUS, um programa do Governo Federal para a digitalização das informações de saúde no Brasil”. 

Todo o tráfego de dados foi realizado com tecnologia que utiliza blockchain para garantir a segurança das informações, informou a Embratel. O projeto é a materialização da estratégia de saúde digital planejada pelo Governo Federal nos últimos anos, informa a empresa. Ele faz parte de uma licitação no valor aproximado de R$ 14 milhões, vencida pela empresa para o fornecimento de soluções, apoio técnico e treinamento de Computação em Nuvem para diversos órgãos do Governo Federal, incluindo o Ministério da Saúde, cuja migração de dados já é a maior inciativa em desenvolvimento atualmente. O projeto vai durar 30 meses.

Mário Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da empresa, conta que esta é uma etapa na qual ela atua mais como consultoria, auxiliando inclusive no planejamento e execução das ações. Embora o noticiário de segurança da informação faça referência a vazamentos de dados do Ministério, Rachid explica que detalhes de problemas passados não foram abordados. Ele acredita que o projeto de levar as cargas de trabalho para a nuvem irá trazer mais segurança para os dados e operações do Ministério da Saúde. “A arquitetura em nuvem da Embratel proporciona a migração de grandes volumes de dados com toda a segurança necessária, especialmente em relação a informações sensíveis e sigilosas”, explica Rachid.

Leia isso
SUS tranca servidor. Hacker diz que há mais dois abertos
Dados bancários de 534 mil brasileiros estão à venda

Com os dados em nuvem, afirma a Embratel, os profissionais de saúde e administração pública poderão fazer um acompanhamento maior de toda a cadeia de atendimento dos pacientes do SUS: “A disponibilização possibilita a continuidade do cuidado aos pacientes, pois os médicos conseguirão ter uma linha do tempo dos tratamentos realizados. Isso amplia o espectro de visão sobre a saúde do cidadão por meio de um ambiente analítico, facilitando a tomada de decisão sobre cada caso”.

No Brasil, cerca de 50% das informações não são digitalizadas nos hospitais públicos de atenção primária, onde são feitos os atendimentos iniciais com objetivo de orientar sobre a prevenção de doenças, solucionar alguns casos e direcionar os mais graves para níveis de atendimento mais complexos. Na atenção especializada, cerca de 77% dos hospitais com mais de 50 leitos não têm prontuários eletrônicos. Sem a digitalização, o compartilhamento dos dados para o DATASUS é feito ao final do mês por cada hospital de atenção primária, pela rede especializada e pelas farmácias populares. Uma vez implementado o novo sistema, tanto o envio dos dados pelos aparatos de saúde quanto o acesso serão facilitados, e as informações serão mantidas sempre atualizadas.

Profissionais de saúde em estabelecimentos públicos pré-cadastrados e gestores municipais e estaduais terão acesso aos dados, além do próprio paciente, que poderá acessar o seu histórico médico por meio de aplicativo. O acesso seguirá todas as determinações de privacidade já previstas em legislações existentes e atenderá a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Informações como atendimentos ambulatoriais e de atenção primária, internações, medicamentos utilizados, exames realizados e vacinas somente serão compartilhadas com a autorização do paciente. 

“É muito pouco provável que algum outro País com a nossa dimensão e complexidade consiga trafegar, hoje, esse conjunto de dados”, afirma Rachid.

Compartilhar:

Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no pinterest