Meta terá equipe para evitar uso abusivo de IA nas eleições na UE

Empresa anunciou que planeia criar uma equipe formada por especialistas em inteligência artificial (IA), cientistas de dados, engenheiros e investigadores na Europa que terá a tarefa de identificar e mitigar ameaças relacionadas às eleições nas suas plataformas em tempo real
Da Redação
27/02/2024

A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, anunciou que vai intensificar as ações para proteger os usuários da desinformação antes das eleições para o Parlamento Europeu, em junho. A empresa anunciou no domingo, 25, que planeia criar uma equipe formada por especialistas em inteligência artificial (IA), cientistas de dados, engenheiros e investigadores na Europa que terá a tarefa de identificar e mitigar ameaças relacionadas às eleições nas suas plataformas em tempo real.

Além disso, a Meta disse que expandirá a sua rede de verificação de fatos com três novos parceiros na Bulgária, França e Eslováquia, elevando para quase 30 o número total de verificadores de fatos independentes, que analisam e classificam conteúdos nas suas plataformas, em toda a União Europeia.

Este ano marca o maior ciclo eleitoral da história, com aproximadamente metade da população mundial em 64 países e na Europa devendo ir às urnas. Esta será a décima eleição parlamentar na União Europeia e a primeira após o Brexit, a saída do Reino Unido do bloco econômico. As eleições terão lugar em todos os 27 países membros da UE, que escolherão os representantes de cada um deles no Parlamento Europeu.

Os analistas preveem uma guinada significativa para a direita em muitos países durante as eleições deste ano, com os partidos populistas de direita radical a ganharem assentos em toda a UE.

Para evitar a propagação de desinformação e propaganda relacionadas com as eleições nas suas plataformas, a Meta investiu mais de US$ 20 bilhões de dólares em segurança e proteção desde 2016, de acordo com a própria empresa. A equipe global dedicada a esse esforço consiste em cerca de 40 mil pessoas, incluindo 15 mil revisores de conteúdo.

Ao monitorar continuamente o comportamento dos operadores de ameaças e disseminadores de fake news ao longo do tempo, como os da Rússia e da China, os investigadores podem antecipar as suas ações durante as eleições deste ano. Isso afeta o tipo de medidas que a Meta vai implementar. Por exemplo, quando a empresa começou a rotular os meios de comunicação social russos controlados pelo Estado ou a bloqueá-los inteiramente na UE e em nível mundial em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia, o volume de publicações nas suas páginas diminuiu 55% e os níveis de envolvimento caíram 94% na comparação com os períodos anteriores à guerra. Além disso, mais da metade de todos os meios de comunicação estatais russos pararam completamente de postar, disse Meta em um blog.

Existem três ameaças principais que os usuários poderão enfrentar nas plataformas de redes sociais durante a época eleitoral, de acordo com a Meta: desinformação, operações de influência coordenadas envolvendo bots e trolls e o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial.

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Para combater a desinformação, Meta disse que tornará mais fácil para organizações independentes de verificação de fatos em toda a UE descobrirem e anexarem rótulos de advertência a conteúdos relacionados com as eleições. A empresa também proibirá anúncios direcionados à UE que desencorajem as pessoas de votar, questionem a legitimidade das eleições ou contenham reivindicações prematuras de vitória eleitoral.

Para proteger os usuários de operações de influência coordenadas, a Meta ajustou a sua abordagem para responder especificamente às campanhas que visam as eleições para o Parlamento Europeu. A empresa também adicionará um recurso para os usuários divulgarem quando compartilharem vídeo ou áudio gerado por IA, e penalidades poderão ser aplicadas se não o fizerem.

Os anunciantes que veiculam anúncios relacionados a questões sociais, eleições ou política com a Meta também precisam revelar o uso de imagens fotorrealistas ou vídeos alterados digitalmente, incluindo aqueles criados com IA. Entre julho e dezembro, a Meta relatou ter removido mais de 430 mil anúncios em toda a UE por não conterem um aviso de isenção de responsabilidade.

Para acessar o comunicado da Meta na íntegra, em inglês, clique aqui.

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