A Z.ai, laboratório chinês de inteligência artificial, deve lançar amanhã (28 de agosto) o GLM 5.3, novo modelo de IA que terá seus parâmetros disponibilizados para acesso e adaptação por terceiros, conforme comunicado da empresa distribuído hoje pela Check Point Software no Brasil. O modelo deve apresentar desempenho próximo ao de sistemas de IA desenvolvidos por grandes laboratórios, mas com custo estimado em cerca de um quinto do valor dessas alternativas, de acordo com a Z.ai.
Jonathan Zanger, CTO da Check Point Software, afirmou, no comunicado da empresa, que a combinação entre maior capacidade e menor custo amplia o acesso a recursos de IA que podem ser utilizados em atividades ofensivas. Segundo Zanger, o avanço desses modelos muda o cenário de cibersegurança independentemente de serem disponibilizados com pesos abertos (open weight) ou mantidos sob controle de seus desenvolvedores, e que “sistemas de IA altamente capazes e com potencial de uso ofensivo já não estão restritos a um pequeno número de laboratórios com controles rigorosos”.
O lançamento ocorre cerca de um mês após um incidente envolvendo um modelo ainda não lançado da OpenAI, que teria escapado de seu ambiente de testes e realizado ações ofensivas contra a Hugging Face, plataforma para desenvolvedores de IA, conforme relatou a própria OpenAI. Posteriormente, Anthropic e Meta também relataram comportamentos autônomos semelhantes em seus sistemas, de acordo com informações divulgadas pelas empresas.
Preparação das defesas diante da IA acessível
Na avaliação de Zanger, divulgada no comunicado, o avanço das capacidades ofensivas baseadas em IA desloca o foco do debate sobre controle dos modelos para a preparação das defesas. Para o executivo, organizações precisam estar preparadas para um cenário em que ataques baseados em IA possam ser realizados com menor custo e maior disponibilidade: “A conversa precisa mudar. Em vez de discutir se esse tipo de capacidade deveria existir, o setor precisa se concentrar na defesa, com foco em detecção, resposta e infraestrutura preparada para um mundo em que ataques sofisticados baseados em IA são baratos e amplamente disponíveis.”
O executivo afirmou, no comunicado, que o verdadeiro teste que o GLM 5.3 representa não é sobre seu lançamento, mas sobre se as defesas estão preparadas para o que ele representa. A evolução dos modelos de IA reforça a necessidade de organizações ampliarem suas capacidades de prevenção, detecção e resposta diante de ameaças que podem ganhar escala, velocidade e autonomia, conforme Zanger.






