Interpol entra no metaverso para combater crime cibernético

Da Redação
25/10/2022

A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) lançou o primeiro metaverso projetado especificamente para combater crimes cibernéticos em todo o mundo. O anúncio foi feito na semana passada na 90ª Assembleia Geral da Interpol na Índia, com o metaverso já totalmente operacional.

A Interpol destacou que um dos principais fatores por trás de sua incursão no metaverso se deve a criminosos que se aproveitam das novas tecnologias para cometer crimes. Além disso, projeta que as taxas de adoção pública dos espaços virtuais provavelmente aumentarão significativamente nos próximos anos.

Segundo a organização, o espaço, chamado de Interpol Metaverso, é um ambiente de realidade virtual no qual os policiais podem interagir e trocar informações entre si, bem como fazer várias experiências imersivas e cursos de policiamento. O Interpol Metaverso inclui uma cópia digital de seu campus sede em Lyon, França, que os delegados foram convidados a visitar usando seus avatares durante o lançamento. Supostamente por causa do treinamento, ele ainda possui uma área de segurança aeroportuária no estilo da TSA, agência americana de administração da segurança do transporte e uma estação de “polícia de imigração e fronteiras”.

De acordo com a Interpol, seu novo metaverso policial nasceu da necessidade de impedir explorações criminosas no mundo da realidade virtual. “À medida que o número de usuários do metaverso cresce e a tecnologia se desenvolve, a lista de possíveis crimes só se expandirá para incluir potencialmente crimes contra crianças, roubo de dados, lavagem de dinheiro, fraude financeira, falsificação, ransomware, phishing e agressão e assédio sexual”, disse a agência em um comunicado.

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A Interpol citou estudo recente de uma empresa de pesquisa de tecnologia que concluiu que todo adulto nos EUA passará ao menos uma hora por dia no metaverso até 2026 — um número que atualmente parece incrivelmente irreal, dado o alto custo de entrada do metaverso e o extremo desinteresse de seus próprios desenvolvedores em realmente usar a plataforma. Apesar disso, a Interpol e o Fórum Econômico Mundial insistem que “golpes de engenharia social, extremismo violento e desinformação” já estão aumentando.

Especialistas em segurança observam que as polícias no mundo todo são notoriamente ruins em lidar com assédio e agressão sexual no mundo real. Como o metaverso ainda é muito recente, eles avaliam que é altamente improvável que elas tratem desses assuntos melhor em um espaço virtual. Muitos órgãos de polícia municipais e estaduais não investigam crimes cibernéticos, incluindo roubo de identidade e golpes de engenharia social, porque acreditam que esse é um trabalho das agências federais.

Mesmo com todo esse ceticismo, os especialistas em segurança dizem que o investimento da Interpol no metaverso não será inútil. Segundo eles, o Interpol Metaverso oferece uma nova arena para realizar certos treinamentos logísticos, como aqueles que envolvem a segurança aeroportuária.

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