security-5043368_1280.jpg

Desinformação e insegurança cibernética lideram riscos globais

Relatório de Riscos Globais de 2024 do Fórum Econômico Mundial alerta também sobre os “paraísos” para a propagação de redes criminosas transnacionais
Da Redação
11/01/2024

A má informação e a desinformação figuram como os riscos globais mais graves previstos para os próximos dois anos em nível mundial, de acordo com o último Relatório de Riscos Globais de 2024 do Fórum Econômico Mundial. O estudo alerta também sobre os “paraísos” para a propagação de redes criminosas transnacionais.

O relatório observa que a  má informação e a desinformação aumentaram rapidamente e o risco deve se tornar mais agudo à medida que várias economias terão eleições neste ano, em que a utilização generalizada de informações falsas e desinformação, e de ferramentas para a sua divulgação, pode minar a legitimidade dos governos eleitos.

Interfaces fáceis de usar para modelos de inteligência artificial (IA) em grande escala têm gerado uma explosão de informações falsas e do chamado conteúdo “sintético” — não criado por humanos e que simula uma pessoa real, usando desde a clonagem de voz, imagem, e até URLs de sites falsos, observa o estudo.

Embora existam vários projetos de regulamentação no uso de grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês)  de inteligência artificial visando combater a desinformação online e os conteúdos ilegais, o Fórum Econômico Mundial reconhece que é pouco provável que a velocidade e a eficácia da regulamentação consigam acompanhar o ritmo do desenvolvimento tecnológico da IA generativa.

O risco de ataques cibernéticos e de insegurança cibernética continua a ser uma das principais preocupações para muitos dos entrevistados para o relatório. Analisando o cenário de risco atual, os ataques cibernéticos foram citados por 39% dos entrevistados, a quinta maior preocupação para 2024. Condições climáticas extremas lideraram o cenário de risco (66%), seguido por erros e desinformação gerados pela IA (53%), polarização política (46%) e, por último, crises geradas pela alta do custo de vida (42%).

Cenário de risco atual*

*Indicação de até cinco riscos que os entrevistados acreditam ter maior probabilidade de apresentar uma crise em escala global em 2024.

Riscos globais classificados por gravidade no curto e longo prazo*

*Estimativas do impacto provável (gravidade) dos seguintes riscos ao longo de um período de 2 e 10 anos.

Em termos de riscos globais classificados por gravidade nos próximos dois anos, a insegurança cibernética ficou em quarto lugar e foi classificada como uma preocupação persistente. Governos e setores da iniciativa privada colocaram a insegurança cibernética como o terceiro risco mais grave no curto prazo.

Globalmente, as atividades econômicas ilícitas tiveram uma classificação baixa, mas o relatório observa que “os avanços tecnológicos abrirão novos mercados e permitirão a propagação de redes criminosas, e o custo humano e econômico do crime organizado poderá aumentar”. As barreiras de entrada serão derrubadas devido aos avanços tecnológicos, especialmente no ambiente cibernético, permitindo a propagação de redes criminosas transnacionais.

Segundo o estudo, as redes criminosas adotarão cada vez mais modelos de negócios mistos, utilizando novas tecnologias para diversificar o financiamento ilícito e fragmentar a presença física. Em última análise, o cibercrime e o crime organizado terão um fluxo de receitas cada vez mais elevado e baixo risco e baixo custo para suas ações, observa o Fórum Econômico Mundial.

Veja isso
Fórum Econômico Mundial vê cyber como risco elevado
Fórum Econômico Mundial aponta iminência de pandemia cibernética

Geograficamente, o relatório prevê que o cibercrime continuará a se espalhar por partes da Ásia e da África Ocidental e Austral, à medida que os ciberataques se tornam mais sofisticados e, ao mesmo tempo, não exigem conhecimento técnico muito profundo ou de infraestruturas complexas dos criminosos e contam com  sistemas menos seguros. Essa tendência já está ocorrendo na América Latina. A tendência de crescimento do cibercrime também está sendo impulsionada em razão da expansão da conectividade à internet nessas regiões.

Os entrevistados destacaram, além da insegurança cibernética, a concentração de poder tecnológico como fator adverso das tecnologias de IA. A produção de tecnologias de IA esta altamente concentrada em algumas empresas e países, o que  cria um risco significativo à cadeia de suprimentos e, segundo o relatório, poderá gerar crises sistêmicas na próxima década.

“A implantação extensiva de um pequeno conjunto de modelos básicos de IA, inclusive nas finanças e no setor público, ou a dependência excessiva de um único fornecedor de nuvem, pode dar origem a vulnerabilidades cibernéticas sistêmicas, paralisando infraestruturas críticas”, observa o estudo.

Ainda de acordo com o Fórum Económico Mundial , o domínio das nações industrializadas do “Norte Global”  no desenvolvimento da tecnologia poderá perpetuar preconceitos sociais, culturais e políticos, enquanto a resiliência aos riscos colocados pela IA, desde a má informação e a desinformação até à utilização criminosa, também poderá ser menor no “Sul Global”.

Para ter acesso ao Relatório de Riscos Globais de 2024 do Fórum Económico Mundial, em inglês, clique aqui.

Compartilhar:

Últimas Notícias