A inteligência artificial está evoluindo para sistemas autônomos que podem transformar rapidamente o sistema financeiro, exigindo que bancos centrais se adaptem e fortaleçam a resiliência para evitar que a próxima surpresa tecnológica se torne um teste de estabilidade financeira, disse ontem a vice-governadora do Banco da Inglaterra, Sarah Breeden, no Fórum do Banco Central Europeu. A executiva afirmou, durante sua apresentação no evento, que “é nosso papel garantir que a próxima surpresa tecnológica não se torne um teste de estabilidade financeira”.
Aceleração da IA e riscos cibernéticos
Breeden destacou que a capacidade da IA está se acelerando: em 2019, a dimensão das tarefas de software que os modelos mais recentes podiam completar dobrava a cada sete meses, e em 2024 esse intervalo caiu para quatro meses. Avanços recentes em modelos para identificar vulnerabilidades cibernéticas sugerem que o ritmo pode ser ainda mais rápido, disse ela. A executiva expressou preocupação com o que chamou de “inflexão” para a IA agêntica, na qual sistemas podem encadear ações de forma autônoma.
A preocupação mais imediata da vice-governadora é com as capacidades cibernéticas da IA agêntica, que, em mãos maliciosas, aumentam materialmente a chance de ataques capazes de prejudicar a estabilidade financeira. Breeden observou que, embora ferramentas de IA fortaleçam a resiliência de defensores, “em mãos maliciosas, elas aumentam materialmente a chance de ataques que poderiam prejudicar a estabilidade financeira”.
Resposta de bancos centrais e recomendações
A executiva defendeu uma abordagem sistêmica para a resiliência operacional, alertando que empresas precisam se recuperar rapidamente de interrupções, seja de ataques bem-sucedidos ou do próprio processo de aplicação de patches, citando o exemplo da atualização defeituosa da CrowdStrike em 2024. Ela sugeriu que autoridades considerem exigir que instituições reguladas tenham opções aprimoradas de recuperação para sistemas críticos, incluindo a capacidade de reconstruir sistemas a partir do “zero”.
Breeden também destacou que a IA deve transformar o monitoramento de bancos centrais, permitindo a combinação de dados qualitativos e quantitativos para gerar insights e cenários, potencialmente usando um “gêmeo digital” do sistema financeiro para simular interações. A executiva concluiu que “precisamos de estruturas de políticas, habilidades internas e estruturas institucionais prontas para surpresas tecnológicas mais frequentes” e que a cooperação internacional, incluindo no Financial Stability Board e no G7, é vital (o Conselho de Estabilidade Financeira, FSB na sigla em inglês, é um órgão internacional que monitora e faz recomendações sobre o sistema financeiro global).






