De acordo com o Microsoft Digital Defense Report (MDDR) deste ano, órgãos públicos foram o setor mais afetado por ameaças cibernéticas em 2026, respondendo por 27% da atividade observada, ante 17% em 2025. O levantamento, que cobre o período entre julho de 2025 e junho de 2026, também aponta os governos como o alvo mais recorrente de ações ligadas a Estados-nação, por concentrarem informações sensíveis, operar serviços essenciais e estarem no centro de redes de fornecedores e operadores de infraestrutura crítica.
Tempo de detecção aumenta
O tempo de permanência de invasores nas redes, ou seja, o intervalo entre o acesso inicial e a detecção pelos times de defesa, aumentou neste ano em vários setores, segundo artigo publicado por Mike Yeh, vice-presidente de Customer Security & Trust da Microsoft. O phishing respondeu por 23% das intrusões registradas em 2026, ante 7% em 2025, o que reforça o papel das identidades comprometidas como porta de entrada para ataques mais amplos. Para Yeh e Terrell Cox, vice-presidente corporativo e Deputy Chief Information Security Officer da Microsoft, essas dinâmicas exigem que a segurança deixe de focar apenas na prevenção de intrusões isoladas e passe a garantir a continuidade operacional das instituições.
Cinco prioridades para governos
Para fortalecer a resiliência, os dois executivos definem cinco prioridades para os governos: preparar-se para um ambiente de ameaças mais acelerado, já que o intervalo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração pode ficar bem abaixo de 24 horas, com projeção de 72 mil CVEs divulgados em 2026; incorporar segurança ao ecossistema de IA desde a concepção dos sistemas; planejar-se para a propagação de incidentes, considerando que 52,2% das intrusões com contas válidas resultaram em roubo adicional de credenciais; viabilizar o compartilhamento bidirecional de informações entre setor público e privado; e preparar serviços essenciais, como transporte e comunicações, para continuar operando durante interrupções.
Como ilustração dessa frente, a Microsoft cita o programa Advancing Regional Cybersecurity (ARC), aplicado recentemente no Quênia, que reuniu formuladores de políticas públicas, operadores de infraestrutura crítica e empresas privadas em exercícios de simulação de resposta a incidentes. Segundo os autores, os governos mais preparados serão os capazes de conter danos, adaptar-se rapidamente e manter serviços essenciais em funcionamento quando os cidadãos mais precisarem deles.






