O FBI abriu em fevereiro deste ano um centro de treinamento de 2 mil metros quadrados em Huntsville, Alabama, para preparar seus agentes e peritos em investigações que dependem cada vez mais de evidências digitais. Chamado de Kinetic Cyber Range, operado pela Divisão de Tecnologia Operacional da agência, o centro reproduz uma pequena cidade com casas, quartos de hotel, hospital, posto de gasolina e uma empresa de energia, todos equipados com sistemas, redes e dispositivos funcionais, conforme comounicado distribuído pelo órgão.
O local foi projetado para oferecer experiência prática antes do trabalho de campo. Em um dos exercícios, os alunos removem a unidade de controle eletrônico de um veículo para extrair dados que podem reconstruir trajetos e identificar ocupantes. Em outro cenário, eles percorrem uma casa cheia de dispositivos conectados à internet e decidem o que apreender. O centro já treinou mais de 1.400 alunos desde sua inauguração, incluindo parceiros de outras agências.
Treinamento realista inclui data center e ataques simulados
O centro também abriga um data center com mais de 200 servidores, rodando sistemas Windows e Linux, recriando as condições frias, apertadas e escuras de um ambiente real. Segundo o gerente do programa, David Beachboard, os sistemas são tão reais quanto as fachadas, com Active Directory, e-mails e firewalls típicos de cada cenário. O Kinetic Cyber Range é onde as divisões de tecnologia operacional e cibernética treinam em conjunto, integrando a perícia digital com a investigação de intrusões.
Em exercícios de ransomware, os alunos enfrentam ataques simulados a redes hospitalares, com alarmes e atores representando equipes médicas, testando tanto a capacidade técnica quanto a comunicação sob pressão. A diretora da unidade de treinamento cibernético, Stephanie Cassioppi, destacou que o objetivo é que os alunos cometam erros no ambiente controlado para aprender sem consequências reais.
Centro atualiza cenários para ameaças emergentes
Os cenários são baseados em casos reais e atualizados regularmente para refletir novas ameaças, como dispositivos IoT, drones e técnicas forenses veiculares. A agência pretende manter o treinamento alinhado com a evolução das tecnologias e dos métodos criminosos. A iniciativa representa uma mudança significativa em relação ao treinamento teórico anterior, oferecendo um ambiente imersivo onde agentes, analistas e peritos podem praticar desde a apreensão de evidências até negociações com proprietários de empresas e equipes jurídicas.






