FBI alerta que FaceApp é ‘ameaça potencial de contrainteligência’

Respondendo ao pedido do líder da minoria do Senado dos EUA para investigar o app russo, a agência diz que os serviços de inteligência de Moscou têm “recursos robustos de exploração cibernética”

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O líder da minoria no Senado dos EUA, Chuck Schumer, compartilhou na segunda-feira, 2, uma carta que recebeu do FBI em resposta ao seu pedido, feito no início deste ano, de investigação dos riscos de segurança e privacidade do aplicativo FaceApp, de fabricação russa, que mostra como será a aparência do usuário quando envelhecer.

Na carta, datada de 25 de novembro, a diretora assistente de assuntos do Congresso do FBI, Jill Tyson escreve que a agência “considera qualquer aplicativo móvel ou produto similar desenvolvido na Rússia, como o FaceApp, uma ameaça potencial de contrainteligência.

“Os serviços de inteligência da Rússia mantêm recursos robustos de exploração cibernética”, disse ela, ao observar que o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) “pode ​​acessar remotamente todas as comunicações e servidores nas redes russas” sem ter que fazer uma solicitação aos provedores de serviços de internet.

Tyson enfatizou que o FBI agiria se encontrasse qualquer evidência de intromissão estrangeira na política dos EUA por meio do FaceApp e entraria em contato com a Foreign Influence Task Force, principal agência dos EUA para investigar operações de influência estrangeira.

O FaceApp havia dito anteriormente que as autoridades russas não têm acesso a nenhum dado de usuário e que a maioria das fotos é excluída de seus servidores em 48 horas. Ressaltou ainda que o aplicativo não usa as imagens para nenhum outro fim.

Favorito das celebridades, o aplicativo usa inteligência artificial para modificar as fotos dos usuários, adicionando rugas ou subtraindo anos de seus rostos.

O senador Schumer fez soar o alarme em relação ao criador do FaceApp, o russo Yaroslav Goncharov, ao pedir em julho para o FBI e a Comissão Federal de Comércio “investigassem os riscos nacionais de segurança e privacidade” trazidos pelo aplicativo.

Com mais de 100 milhões de usuários, o FaceApp foi lançado há dois anos e se tornou viral depois que sua mais recente ferramenta de edição, um filtro antigo, provocou uma avalanche de selfies de celebridades. A empresa desenvolvedora do app, o Wireless Lab, está sediada no centro de alta tecnologia Skolkovo, perto de Moscou, frequentemente chamado Vale do Silício da Rússia — fato, aliás, que despertou preocupação no Partido Democrata dos EUA.

O Washington Post informou que o Comitê Nacional Democrata alertou os ativistas nas primárias para que excluam o aplicativo antes das eleições presidenciais de 2020. O partido é particularmente sensível a qualquer possibilidade de vigilância envolvendo Moscou, depois que algumas autoridades democratas foram atacadas por hackers russos durante a campanha eleitoral de 2016.

Segundo os órgãos de inteligência dos EUA, a inteligência russa estava por trás dos hackers que invadiram os computadores e acessaram as comunicações do Partido Democrata na tentativa de invadir os sistemas de votação nos níveis estadual e local.

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