Falha no WebKit põe em perigo todos os navegadores iOS

Da Redação
15/02/2022

A Apple corrigiu uma vulnerabilidade de segurança de dia zero em seu mecanismo de navegador WebKit e liberou atualizações para iOS, iPadOS e macOS. O navegador Safari, baseado no WebKit, recebeu atualização de segurança separadamente para casos em que esteja sendo usado com uma versão mais antiga do macOS, como o Big Sur. O tvOS da Apple também foi atualizado, mas sem a correção de segurança.

As atualizações — iOS 15.3.1, iPadOS 15.3.1 e macOS Monterey 12.2.1 — são para a vulneravilidade rastreada como CVE-2022-22620, relatada à Apple por um pesquisador anônimo. “O processamento de conteúdo da web criado com intuito malicioso pode levar à execução arbitrária de código”, explica o conciso aviso de segurança da empresa. “A Apple está ciente de um relatório que alerta que esse problema pode ter sido explorado ativamente.”

A CVE-2022-22620 é uma falha de uso posterior que a Apple diz ter corrigido implementando um melhor gerenciamento de memória. Não foram disponibilizados mais detalhes sobre a vulnerabilidade ou o código de exploração potencial.

Zero-days no software da Apple têm sido usados ​​para realizar ataques cibernéticos sofisticados, como aqueles conduzidos por regimes autoritários contra membros da sociedade civil com a ajuda do software Pegasus da NSO Group. Em setembro do ano passado, o grupo de pesquisa de ameaças Citizen Lab documentou uma falha de dia zero chamada ForceDentry (CVE-2021-30860) que foi usada por pelo menos oito meses para comprometer dispositivos Apple iOS, macOS e watchOS.

Ponto único de falha

O patch da Apple é relevante não apenas para usuários do Safari, que depende do WebKit, mas para usuários de qualquer navegador iOS, porque a Apple exige que todos os navegadores iOS usem o WebKit — uma situação que está sendo analisadas pelos órgãos reguladores antitruste dos EUA e do Reino Unido.

A Apple argumenta que apenas o WebKit é adequado para iOS. Ela alega “que, como resultado de sua exigência de que todos os navegadores no iOS sejam baseados em seu próprio mecanismo de navegador, WebKit, é mais prontamente capaz de corrigir quaisquer preocupações de privacidade e segurança que surjam em tempo hábil, e reduzir os riscos para os usuários”, disse a empresa a Autoridade de Concorrência e Mercado do Reino Unido em seu relatório provisório de 26 de janeiro de 2022, ao qual o site The Register teve acesso.

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Com base em dados anteriores coletados pelo Projeto Zero do Google, “em tempo hábil” significa “não tão rapidamente”. Na análise recente do Projeto Zero de correção de dia zero, o tempo médio de reparo da Apple para bugs do iOS é mais ou menos o mesmo e o tempo médio de reparo do Google para Android — 70 e 72 dias, respectivamente. Mas quando os reparos do navegador são comparados, a Apple não se sai nada bem.

“O WebKit é o outlier nesta análise, com o maior número de dias para lançar um patch em 73 dias”, escreveu Ryan Schoen, pesquisador do Projeto Zero. “O tempo deles para conseguirem a correção está no meio entre o Chrome e o Firefox, mas infelizmente isso deixa muito tempo para os invasores oportunistas encontrarem o patch e explorá-lo antes que a correção seja disponibilizada aos usuários”.

Desde a Conferência Mundial de Desenvolvedores da Apple no ano passado, os desenvolvedores que participam do ecossistema da empresa vêm “repreendendo” a empresa por investir pouco na web. E eles expressaram preocupação de que o Safari possa se tornar o novo Internet Explorer — uma referência à época em que o desinteresse da Microsoft em seu navegador outrora dominante frustrou os desenvolvedores da web e, finalmente, levou ao surgimento do Firefox da Mozilla e, em seguida, do Chrome do Google.

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