O governo Biden anunciou hoje pesadas sanções à Rússia e acusou formalmente a principal agência de inteligência do país pela invasão dos sistemas de agências governamentais americanas e das maiores empresas do país por meio da plataforma Orion, da SolarWinds. Os hackers invadiram o servidor de atualizações da empresa e contaminaram com backdoor as versões mais novas, das quais foram feitos cerca de 18 mil downloads. Biden anunciou sanções a 32 entidades e indivíduos por esforços de desinformação e por concretizar a interferência do governo russo nas eleições presidenciais de 2020.
Dez diplomatas russos, a maioria identificada como agente de inteligência, foram expulsos da embaixada russa em Washington. Em uma conversa com o presidente Vladimir Putin na última terça-feira, Biden alertou que os Estados Unidos agiriam para proteger seus interesses, mas também levantou a perspectiva de uma reunião de cúpula entre os dois. São também punidas oito pessoas e entidades associadas à ocupação da Rússia na península da Crimeia. As sanções vêm em meio a um grande aumento militar russo nas fronteiras da Ucrânia e na Crimeia, a península que a Rússia anexou em 2014.
Em represália, no dia seguinte (16 de abril de 2021), mas em razoável sintonia diplomática, o governo russo também anunciou a expulsão de dez diplomatas americanos, o fechamento de organizações não-governamentais apoiadas por organizações norte-americanas e recomendou ao Ministério das Relações Exteriores a proibição da entrada de oito funcionários e ex-funcionários do governo dos EUA. O ministro Sergey Lavrov afirmou que as medidas são inamistosas e provocativas.
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É a primeira vez que o governo dos Estados Unidos atribui ao Kremlin a culpa pelo ataque à SolarWinds, dizendo que ele foi planejado pela SVR, uma das agências de inteligência russas, também envolvida no hacking do Comitê Nacional Democrata seis anos atrás. A acusação coincide com as descobertas feitas por empresas privadas de segurança cibernética, entre as quais a FireEye e a Microsoft.
Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional de Biden, tem dito que as sanções não serão suficientes e acrescentou que haveria ações “visíveis e invisíveis” contra a Rússia. Biden, antes de sua posse, insinuou que os Estados Unidos responderiam da mesma forma ao ataque, o que parecia sugerir algum tipo de resposta cibernética oculta. Mas pode levar semanas ou meses para que qualquer evidência dessa atividade venha à tona, se é que isso acontecerá.
Com agências de notícias internacionais
Atualizado 16/04/2021 1530