Empresas vão para as nuvens e negligenciam as redes locais

Em 2017, 13,1% dos ativos de rede eram antiquados ou obsoletos; no ano passado, esse total alcançou 47,9%
Da Redação
08/07/2020

A infraestrutura de rede local das empresas está perdendo o passo, à medida em que elas migram suas cargas de trabalho para nuvens. Em 2017, 13,1% dos ativos de rede eram antiquados ou obsoletos; no ano passado, esse total alcançou 47,9%. Os dados estão no estudo ‘2020 Global Network Insights’, da NTT, feito sobre as redes de mais de mil clientes da empresa, cobrindo 808.400 dispositivos. Sediada no Japão, a NTT é uma das maiores operadoras de telecom do mundo.

A constatação do envelhecimento dos ativos é confirmada por um aumento expressivo de dispositivos sem patches, contendo vulnerabilidades de software e expondo o ambiente de TI a ameaças cibernéticas, diz o estudo.

Porcentagem de ativos antiquados ou obsoletos nas redes. Fonte: NTT (clique para ampliar)

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A NTT ressalta que o surto de COVID-19 e o consequente aumento no consumo de banda larga estão sobrecarregando as redes, e com isso ampliando riscos: “Com o crescimento do home office, do acesso remoto e do consumo de mais serviços de voz e vídeo, a infraestrutura de rede e a segurança das organizações estão sob pressão”.

Os dados da pesquisa indicam que dispositivos obsoletos têm, em média, 42,2 vulnerabilidades por equipamento, enquanto os antiquados têm 26,8 e os novos 19,4. Esse risco é agravado ainda mais quando as empresas não corrigem um equipamento ou atualizam o sistema operacional durante a vida útil. Embora a aplicação de patches seja relativamente simples e, geralmente, gratuita nos contratos de manutenção ou garantia estendida, muitas organizações ainda não fazem isso.

O estudo concluiu que a pandemia trará mudanças permanentes na maneira pela qual as companhias operam. Isso inclui a implementação de novos espaços de trabalho, que acomodam o distanciamento social nos escritórios físicos, ao mesmo tempo em que muitas organizações continuarão adotando o trabalho remoto total ou parcial.

Tudo isso, mais a adoção acelerada de infraestrutura sem fio – um aumento de 13% em relação a 2018 – , implicará uma nova abordagem para toda a arquitetura de rede. O estudo alerta para o fato de que as empresas precisarão de ferramentas, conhecimento e experiência para reestruturar a rede para avançar a curto, médio e longo prazo dentro desse ‘novo normal’, mesmo com pessoas trabalhando remotamente e de qualquer dispositivo:

“Elas precisarão encontrar parceiros estratégicos que possam orientá-las com uma visão de como será a futura rede – não apenas em termos de suporte ao espaço corporativo, mas também em áreas públicas e de varejo onde é difícil obter o isolamento social. Por exemplo, à medida que avançamos para esse ‘novo normal’, a Inteligência Artificial e o Aprendizado de Máquinas podem ser aplicados para ajudar a monitorar medidas de distanciamento – a rede será o facilitador da plataforma”.

Comentando os dados, Rob Lopez, VP de Infraestrutura Inteligente da NTT, diz que “nesse ‘novo normal’, muitas empresas precisarão revisar suas estratégias de arquitetura de rede e segurança, de operação e suporte para gerenciar melhor o risco operacional. Esperamos ver a estratégia mudar do foco na continuidade dos negócios para a preparação para o futuro, à medida que as ações de isolamento social começarem a diminuir. A infraestrutura de rede precisa ser adequadamente arquitetada e gerenciada para lidar com surtos não planejados, o que exigirá uma recolocação na nuvem e na infraestrutura local a fim de reduzir o impacto e a frequência de interrupções críticas dos negócios.”

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