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Disputa entre Mondelē​​z e Zurich gera apreensão sobre ciberseguro

Da Redação
09/11/2022

A Mondelēz International, dona de marcas globais como Lacta, Trident e dos biscoitos Oreo e Ritz, encerrou a ação judicial movida em 2018 contra a Zurich American na qual pedia US$ 100 milhões de indenização pela recusa da seguradora em pagar os danos causados no ataque do NotPetya, alegando que o ataque era um ato de guerra. A desistência do processo ocorre após as empresas terem fechado um acordo no mês passado.

O julgamento, que se arrastava por vários anos e estava perto de ser concluído, concentrou-se em analisar se a seguradora poderia se negar a pagar a apólice devido a exclusões tradicionais de atos de guerra. O ataque, ocorrido em 2017, danificou 1.700 servidores e 24 mil laptops da Mondelēz.

Embora os termos específicos permaneçam confidenciais, o acordo reabriu temores de que ataques ligados à invasão da Ucrânia pela Rússia ou algum outro conflito global possam levar a uma nova rodada de pedidos de pagamento devido à interrupção de negócios, aumentando a pressão sobre as seguradoras.

O incidente NotPetya envolveu um ataque ao software ucraniano de declaração de impostos, que levou ao fechamento das operações globais de fabricação de algumas das maiores empresas multinacionais do mundo, de acordo com Katell Thielemann, analista vice-presidente do Gartner. “Isso deveria ter sido um alerta para todos os anos atrás”, disse ele. “No entanto, muitas organizações estão começando a prestar atenção ao estado de segurança de seus sistemas ciberfísicos em ambientes de produção.”

Embora incapaz de abordar as especificidades do caso Mondelē​​z, o desenvolvimento é visto como outro indicador de como a clareza do texto nas apólices de seguro é fundamental para todo o processo de subscrição, disse Sridhar Manyem, diretor de pesquisa e análise do setor da AM Best, ao site CybersecurityDive.

“O Lloyds de Londres ordenou que suas seguradoras excluam ataques cibernéticos catastróficos da cobertura”, disse Manyem. “Outras seguradoras devem observar atentamente as perdas não intencionais [silenciosas e não afirmativas] e as perdas cibernéticas afirmativas que podem resultar de atos de guerra ou atores apoiados por governos, que podem não ter sido precificados.”

Dados divulgados em outubro pela Marsh indicam que as taxas de prêmios de seguros cibernéticos ainda estão subindo, mas o ritmo desses aumentos está começando a desacelerar. As taxas médias de seguro durante o trimestre de julho a setembro aumentaram 54%, na comparação com altas de 133% durante o último trimestre de 2021.

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De acordo com a Moody’s, os índices de sinistralidade para seguradoras cibernéticas caíram para 65% no final de 2021, devido a aumentos de preços e padrões de subscrição mais rígidos. O relatório cita dados da Beazley mostra uma taxa de perda cibernética de 49%, na comparação com 69% no final do ano passado.

O setor de seguros cibernéticos, no entanto, continuará a ver uma grande demanda por novas coberturas de apólices. Espera-se que o mercado atinja US$ 22 bilhões até 2025, na comparação com US$ 9,2 bilhões no início deste ano, segundo o relatório da Moody’s, citando dados da Munich Re.

A S&P observa que as seguradoras, em alguns casos, cancelaram contratos em que os segurados não cumpriram os padrões de segurança. Em outros casos, as seguradoras realinharam os termos das apólices, aumentaram os níveis de retenção ou reduziram a cobertura para certos tipos de sinistros, principalmente em situações envolvendo ransomware ou interrupção de negócios.

A comunidade de segurança cibernética e o setor de seguros estão acompanhando de perto a guerra da Ucrânia por ataques relacionados contra organizações dos EUA, no entanto, o setor de seguros está mais focado no que o governo pode fazer em resposta a esses ataques.

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