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Darknet russa movimentou mais de US$ 1,3 bi em 2020

Transações da Hydra, plataforma em idioma russo na dark web, tiveram crescimento de 624% nos três últimos anos
Da Redação
27/05/2021
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O mercado na dark web no idioma russo já é um dos maiores da internet obscura. Somente no ano passado, as atividades ilícitas realizadas por meio da Hydra, plataforma em russo similar ao Silk Road, site precursor da dark web, movimentaram o equivalente a US$ 1,37 bilhão em criptomoedas, contra US$ 9,4 milhões em 2016. O “crescimento vertiginoso” nos volumes de transações anuais marca um salto surpreendente de 624% ano a ano, em um período de três anos de 2018 a 2020.

A Hydra foi lançada em 2015 para fornecer aos varejistas a capacidade de criar lojas online e individuais para comercializar seus produtos, mas nos três últimos anos emergiu como um hotspot para atividades ilícitas, como a venda de drogas, contrabando, vendas de cartões de crédito e SIM cards, de passaportes falsos e dinheiro falsificado, entre outras. Ela surgiu como concorrente do agora extinto Mercado Anônimo Russo, também conhecido como RAMP, que era voltado basicamente para o comércio de narcóticos.

Segundo observadores do mercado da dark web, o crescimento da Hydra se deve, ao contrário do Silk Road, ao fato de permanecer em operação e ilesa contra ataques de concorrentes ou de ações de agentes da lei. “Seu único período de inatividade digno de nota ocorreu durante um curto período de tempo no início da pandemia de covid-19 no final março de 2020”, salienta a empresa de inteligência de ameaças Flashpoint em um relatório publicado em conjunto com a empresa de análise de blockchain Chainalysis.

O relatório, publicado em fevereiro, revela que a Hydra é responsável por mais de 75% da receita do mercado darknet em todo o mundo em 2020, posicionando-se como um “player” importante no cibercrime de criptografia no leste europeu. A atividade de criptomoeda em alta no mercado pode ser parcialmente atribuída ao fim do RAMP em setembro de 2017, que resultou em uma migração em massa de gangues do crime cibernético para a Hydra.

Um segundo fator que contribui para o aumento das transações em criptomoeda, de acordo com a pesquisa, são os requisitos rigorosos impostos aos “comerciantes/vendedores”. A partir de julho de 2018, diretrizes do governo russo determinaram que os saques de criptomoedas das carteiras dos vendedores sejam encaminhados por criptomoedas e serviços de pagamento operados regionalmente para a troca dos fundos pela moeda fiduciária russa.

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Ainda segundo os pesquisadores, também existem limitações para as retiradas do vendedor até que completem com sucesso mais de 50 transações de vendas ou mantenham um saldo de conta de pelo menos US$ 10 mil. Essas mudanças de política provavelmente beneficiaram os administradores da Hydra e sancionaram comerciantes, entidades e provedores de serviços, que ainda podem operar e realizar transações sob essas restrições mais rígidas de carteira eletrônica.

“Após a conclusão da parte do comprador da transação, o rastro do dinheiro fica nebuloso, pois os operadores financeiros e prestadores de serviços mais ‘velados’ da região gerenciam as finanças dos vendedores e convertem os saques de criptomoedas em moedas fiduciárias russas, difíceis de rastrear como a próxima etapa na cadeia financeira”, disseram os pesquisadores.

Essas restrições também tornaram as contas de vendedor da Hydra uma mercadoria quente em vários fóruns clandestinos, fomentando um novo mercado secundário onde os cibercriminosos compram uma conta de vendedor estabelecida para obter acesso direto ao mercado e contornar totalmente as políticas e controles financeiros.

Para se ter uma ideia, a gangue que opera o ransomware DarkSide, que está por trás do ataque ao oleoduto da Colonial Pipeline no início deste mês, enviou 4% de seus ganhos ilícitos, que totalizam US$ 17,5 milhões, para os operadores da Hydra.

“A expansão da Hydra para outros negócios ilícitos pode colocar em risco mais setores da indústria”, advertem os pesquisadores. “Embora a Hydra atualmente apoie a venda de muitos produtos e serviços ilícitos, seu mercado mais forte, de longe, continua sendo a venda de narcóticos. Se ela continuar a crescer, seu apoio a outros negócios cibercriminosos provavelmente se expandirá.”

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