Enquanto prosseguem as investigações sobre os documentos vazados do Pentágono envolvendo a guerra na Ucrânia, especialistas em segurança cibernética se mostram éticos de que o material que circula online seja genuíno. Alguns acreditam que o vazamento é parte de uma campanha de desinformação dos serviços de segurança e inteligência da Rússia.
“A Rússia tentou minar a confiança nas forças armadas ucranianas com desinformação fornecida por meio de vários esquemas”, afirmou John Hultquist, chefe da Mandiant Intelligence Analysis no Google Cloud.
Na sexta-feira, 7, o Pentágono disse que está investigando uma “falha de segurança” relatada em documentos de guerra ultrassecretos. Os documentos vazados, do fim de fevereiro e início de março, foram expostos em sites de mídia social nos últimos dias e descrevem a escassez crítica de munições de defesa aérea da Ucrânia e discute os ganhos obtidos pelas tropas russas na cidade oriental de Bakhmut.
O The New York Times noticiou o incidente pela primeira vez na quinta-feira, 5. Citando altos funcionários dos EUA, o Times informou que alguns dos documentos podem ter sido modificados em certas partes de seus conteúdos originais, em essência exagerando as estimativas americanas de mortos na guerra.
Os dados que estão sendo questionados que constam do documento, datado de 1º de março, incluem detalhes das brigadas de combate ucranianas, assistência de treinamento dos EUA e da Otan e estimativas de baixas. Segundo relatos, as versões do documento amplamente divulgadas alteram seletivamente os dados de baixas para exagerar as baixas ucranianas e minimizar as das tropas russas.
Um documento relata que os russos sofreram de 189.500 a 223 mil baixas, incluindo até 43 mil mortos em ação. As autoridades americanas estimaram anteriormente as perdas russas em cerca de 200 mil soldados. Embora as autoridades americanas sejam mais cautelosas ao descrever as perdas ucranianas, elas disseram que houve cerca de 100 mil. O documento vazado diz que, em fevereiro, a Ucrânia sofreu de 124.500 a 131 mil baixas, com até 17.500 mortos em ação.
“Em todos os casos, o objetivo é levar a desinformação por meio de intermediários descuidados”, disse Hultquist. “Temos muita sorte que esse vazamento tenha recebido uma recepção tão cética.”
Outro especialista em cibersegurança, David Balaban, proprietário da Privacy-PC, disse que os documentos têm todas as características de uma campanha russa de desinformação. “O número de baixas em ambos os lados do conflito está muito distorcido a favor da Rússia, o que sugere que um dos prováveis objetivos dessa ação é dar aos ucranianos e ao mundo ocidental uma falsa sensação de desgraça e derrota iminente”, escreveu ele em uma entrevista por e-mail ao site SC Media.
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Mykhailo Podolyak, assessor do chefe do Gabinete da Presidência da Ucrânia, comentou o vazamento por meio de um tuíte na sexta-feira afirmando que “desde o colapso da URSS, a inteligência russa se degradou tanto que a única maneira de eliminar a ‘aventura de Salisbury’ [em referência ao envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal em Salisbury, Inglaterra, em 4 de março de 2018] e ao ‘plano de três dias’ [Moscou esperava que a agressão demorasse apenas três dias até a Ucrânia sucumbir] e outras falhas é o Photoshop e pseudo-vazamentos virtuais”. “Moscou está tentando desesperadamente interromper a contraofensiva. Mas os russos verão os planos reais no campo de batalha. Breve”, disse Podolyak.
Podolyak também enfatizou que esta história é uma evidência indiscutível de um jogo de informação. “Se você tem um canal estável para obter dados de inteligência do Pentágono, não o arruinará por causa do hype de informações de um dia.”
O Pentágono disse na sexta-feira que está investigando quem pode estar por trás do vazamento dos documentos, que apareceram no Twitter e no Telegram. A vice-secretária de imprensa do Departamento de Defesa dos EUA, Sabrina Singh, disse em um comunicado que “estamos cientes dos relatos de postagens nas redes sociais e o departamento está analisando o assunto”. Com agências de notícias e sites internacionais.






