Criptomoedas ajudam cartéis na América Latina a lavar dinheiro

Da Redação
02/03/2020
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São conclusões do último relatório das empresas Intsights e CipherTrace, especializadas em inteligência contra ameaças e análise de blockchain

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Os cartéis de crime organizado e de drogas na América Latina estão cada vez mais utilizando criptomoedas para lavar dinheiro e obter lucro em fraudes. Essa é uma das conclusões do último relatório feito pelas empresas  Intsights e CipherTrace, especializadas em inteligência contra ameaças e análise de blockchain, respectivamente.

O relatório, intitulado “O lado obscuro da América Latina”, demonstra como o financiamento de ameaças na região evoluiu com o aumento das criptomoedas e trocas ponto a ponto e não regulamentadas. Pesquisadores da Intsights dizem que chegaram às suas conclusões com acesso a “bancos de dados de acesso fechado” e “centenas de fontes subterrâneas (deep web e dark web)”.

O relatório afirma que os países da região “estão no topo da lista das piores nações do mundo em lavagem de dinheiro”, e o crime organizado e os cibercriminosos estão recorrendo às criptomoedas para movimentar dinheiro e contratar hackers. O relatório também destaca o fato de que a corrupção política extrema na região ajuda os criminosos a operar sem muita resistência. 

Uma maneira de os criminosos usarem especificamente a criptomoeda é através de “serviços de mixagem” para ofuscar “fundos de criptomoeda potencialmente identificáveis ​​ou ‘contaminados’ com outras pessoas”, de acordo com a Intsights. Uma vez “lavados” por meio de serviços de mixagem, os criminosos continuam a negociar suas criptomoedas em outras bolsas para obter lucro.

Além disso, os criminosos estão lavando dinheiro através de muitas trocas não regulamentadas na América Latina, que carecem das políticas de conhecimento do cliente (KYC) e anti-lavagem de dinheiro (AML) que são comuns nos países mais desenvolvidos. Os criminosos usam essas operações para trocar Bitcoin por altcoins, para ofuscar ainda mais e lucrar com seus fundos ilícitos. Segundo os pesquisadores, eles estimam que 97% por cento da criptomoeda lavada acaba em lugares como a América Latina que têm “regulamentos KYC / AML extremamente relaxados”. 

Para compor isso, os criminosos também recorrem às trocas peer-to-peer (P2P), que continuam sendo a maneira preferida pelos criminosos de trocar criptomoedas por moeda fiduciária. O relatório cita as bolsas P2P, como a LocalBitcoins, que tem um volume de negociação relativamente alto na América Latina, como favoritas para os criminosos lavarem dinheiro porque “normalmente carecem de programas de LBC e realizam pouca ou nenhuma diligência prévia da KYC”. 

Nos últimos meses, trocas P2P como Paxful e Local Bitcoins aumentaram seus regulamentos para combater essa reputação. 

O relatório cita o caso da agora famosa empresa panamenha de processamento de pagamentos Crypto Capital como um exemplo proeminente de como os criminosos usam criptografia. Os supostos operadores do “banco paralelo” são acusados ​​de ajudar os cartéis de drogas nas operações de lavagem de dinheiro entre a América Latina e a Europa, entre outros delitos. É um problema que dificilmente será resolvido em pouco tempo, de acordo com os pesquisadores, dada a falta de leis estabelecidas contra a lavagem de dinheiro na América Latina e a má aplicação das leis em vigor.

No entanto, o relatório recomenda que as empresas que desejam combater o cibercrime na região “se juntem, monitorem e analisem a inteligência sobre crimes cibernéticos”, aprendam e “sigam as melhores práticas de segurança”.

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