Crime organizado faz 2º ataque ao mercado financeiro em 24h

O crime organizado está se movimentando desde a última sexta-feira para obter ganhos em ataques cibernéticos contra instituições financeiras: dois ataques foram registrados no sábado, ambos poucas horas depois que o Banco Central anunciou medidas para elevar a segurança do Sistema Financeiro Nacional. Na tarde de hoje, domingo, o BC enviou a operadores do mercado financeiro um alerta sobre o segundo ataque cibernético a uma instituição no fim-de-semana, desta vez o Banco Triângulo S.A. O ataque anterior, notificado ontem (sábado) pelo banco, havia ocorrido contra a E2 Pay. Essa notificação sobre a E2 Pay foi distribuída com o seguinte conteúdo: “Informamos que foi identificado incidente de cibernético na E2 Pay, resultando na subtração indevida de valores financeiros. Por isso, recomendamos as seguintes ações de forma imediata: Reforçar o monitoramento contínuo de todas as transações financeiras, mesmo em transações de book transfer”. A notificação de hoje, cujo teor foi obtido pela Folha de S. Paulo, diz: “Informamos que foi identificado incidente no Banco Triangulo S.A. (ISPB 17351180), resultando na subtração indevida de valores financeiros”.

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O ataque ao Banco Triângulo é oficialmente o quinto em dois meses, já que o primeiro atingiu operações da C&M Software em 2 de Julho. Depois desse, houve ataques à Sinqia e à fintech gaúcha Monetarie, que opera com o nome-fantasia Monbank. Os ataques visaram principalmente contas das próprias instituições, mantidas junto ao BC.

Para proteger as operações e instituições, o BC anunciou na última sexta-feira um teto de R$ 15 mil para operações via TED e Pix nas instituições de pagamentos “não autorizadas” e as que se conectam ao Sistema Financeiro Nacional por meio de prestadores de serviços de tecnologia de informação (PSTI).

O Banco Triângulo – ou Tribanco – O Tribanco faz parte do Grupo Martins e foi criado, em 1990, segundo sua página no Linnkedin. Foi criado com o objetivo de “entregar as melhores soluções financeiras aos clientes e parceiros do Sistema Martins”.

Esses ataques cibernéticos a instituições financeiras envolvem várias etapas complexas, cuja execução exige prévia preparação: os valores, depois de serem instantaneamente transferidos por operações de PIX para contas bancárias, ou de pagamento, precisam chegar a exchanges de criptomoedas para serem, então, convertidos eventualmente em criptomoedas de dificil rastreamento. A grande quantidade de contas receptoras precisa contar com titulares “laranjas”, o que também requer prévia preparação do crime organizado.