Crescimento de ataques DDoS alcança 31% em 2021

O volume de ataques cresce em progressão geométrica, e não somente devido à pandemia, alerta o VP da NSFOCUS André Mello
Paulo Brito
07/08/2021
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Nos quatro primeiros meses de 2021 houve 31% mais ataques de DDoS do que nos quatro meses últimos meses de 2020. “O volume de ataques cibernéticos está crescendo em progressão geométrica nos últimos meses, e não somente devido à pandemia. O aumento do número de equipamentos vulneráveis conectados na internet, a sofisticação das técnicas de ataques e o barateamento de recursos computacionais para se gerar um ataque contribuem de forma exponencial para isso”, explica André Mello, vice-presidente para a América Latina da NSFOCUS, empresa especializada na defesa contra esse tipo de ameaça.

André Mello, VP da NSFOCUS para a América Latina

Mello chama a atenção para o fato de que o DDoS em geral ocorre em ondas: “Há épocas em que aumentam, em outras diminuem, depende de eventos, de fatos políticos… E observamos que desde a metade do ano passado eles têm aumentado”. As razões para a ocorrência deles podem ser as mais diversas e os ataques podem partir de até milhares de dispositivos programados para isso. O acúmulo de solicitações de um serviço num mesmo endereço causa a sobrecarga e eventual travamento do dispositivo atacado.

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“Existem ataques voluntários, nos quais pessoas deliberadamente se reúnem e instalam programas em suas máquinas para atacar este ou aquele alvo, como já fez o grupo Anonymous em diversas ocasiões”, explica Mello. Mas existem também ataques que ele chama de involuntários, feitos pelas máquinas cujos ataques são desconhecidos de seus administradores: “São máquinas contaminadas por programas, que passam a gerar tráfego na direção de um alvo”, acrescenta. A contaminação ocorre de diversas maneiras, mas as mais frequentes são pela abertura de anexos de emails ou visita a sites onde existem páginas contaminadas com malware. “O que tem crescido muito é a contaminação dos dispositivos de IoT, que são mais de 20 bilhões no mundo – ou seja, qualquer dispositivo que tenha um número IP. Pode ser roteador, geladeira, automóvel, qualquer coisa. E a combinação deles se torna uma botnet”, acrescenta o executivo.

Atualmente, grupos de malfeitores controlam botnets com até um milhão de dispositivos, alerta Mello. “A Mirai é uma dessas – é a mais conhecida, e que tem mais de um milhão de dispositivos. É uma botnet que pode ser alugada para prejudicar uma empresa ou uma pessoa. Isso trouxe um aumento muito grande nos ataques de DDoS”, completa Mello.

A proteção contra ataques tanto pode ser feita por um equipamento instalado na rede do usuario quanto por um serviço em nuvem, explica ele. “O tráfego dos ataques é desviado para nós, que somos um provedor desse tipo de serviço, em seguida filtrado, para que entreguemos ao cliente somente o tráfego limpo”. Para detectar os ataques, Mello diz que a NSFOCUS conta com a vantagem de ser uma empresa com sedes na China e nos EUA: “Sabemos que em torno de 40% das botnets é formada com IPs localizados na China. Quem controla a botnet pode não estar na China. Mas 40% dos dispositivos estão lá”.

A explicação para a grande quantidade, segundo ele, é simplesmente o grande número de dispositivos existentes no país: “Como estamos nos backbones das grandes operadoras da China, conseguimos detectar esses ataques. Isso nos dá vantagem e velocidade”, explica. A empresa tem 20 anos de fundação e está no Brasil há quatro anos e meio, diz Mello. “Viemos crescendo muito rápido no Brasil ano após ano, e este ano devemos crescer 40% aqui. A empresa é de capital aberto, com ações na bolsa de Shangai”, finaliza.

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