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ConsentFix v3 automatiza ataque OAuth sem senha nem MFA

Uma nova variante de ataque, batizada de ConsentFix v3, está sendo promovida em fóruns de hackers como uma técnica aprimorada que automatiza ataques contra o Microsoft Azure, dispensando senhas e contornando até a autenticação multifator (MFA).

Evolução da técnica de abuso OAuth

A primeira versão do ConsentFix foi apresentada pela Push Security em dezembro de 2025. Segundo a empresa, tratava-se de uma variação do ClickFix para ataques de phishing OAuth, que engana as vítimas para que concluam um fluxo de login legítimo da Microsoft via Azure CLI. A versão v2, desenvolvida pelo pesquisador John Hammond, substituiu a cópia/cola manual por arrastar e soltar. O ConsentFix v3, de acordo com informações obtidas em fóruns de hackers, preserva a ideia central de abusar do fluxo de código de autorização OAuth2 e direcionar aplicativos de primeira parte da Microsoft, que são pré-confiantes e pré-consentidos, mas adiciona automação e escalabilidade.

Fluxo de ataque automatizado

Sobre o funcionamento da nova técnica, a Push Security explicou em seu artigo que o ataque começa verificando a presença do Azure no ambiente-alvo por meio de IDs de inquilino válidos. Em seguida, os agressores coletam detalhes de funcionários (nomes, cargos e e-mails) para apoiar a personificação. Conforme detalhou a Push Security, os invasores criam múltiplas contas em serviços como Outlook, Tutanota, Cloudflare, DocSend, Hunter.io e Pipedream para dar suporte às operações de phishing, hospedagem, coleta e exfiltração de dados.

A plataforma Pipedream, segundo os pesquisadores da Push Security, desempenha papel central na automação. Ela atua como endpoint de webhook que recebe o código de autorização da vítima, como mecanismo de automação que troca imediatamente esse código por um token de atualização via API da Microsoft e como coletor central que disponibiliza os tokens capturados em tempo real.

Fase de phishing e pós-exploração

Na próxima fase, o invasor implanta uma página de phishing hospedada no Cloudflare Pages. De acordo com o relatório da Push Security, a página imita uma interface legítima da Microsoft/Azure e inicia um fluxo OAuth real por meio do endpoint de login da Microsoft. Quando a vítima interage com a página, é redirecionada para uma URL localhost contendo um código de autorização OAuth, que é enganada para colar ou arrastar de volta para a página de phishing. Isso ativa o pipeline de exfiltração, no qual a página envia a URL capturada para um webhook do Pipedream, e a automação de backend troca imediatamente o código por tokens.

Os e-mails de phishing, segundo a Push Security, podem ser altamente personalizados, gerados a partir de dados colhidos, e apresentam links maliciosos incorporados em um PDF hospedado no DocSend para melhorar a credibilidade e driblar a filtragem de spam. No estágio de pós-exploração, os tokens obtidos são importados para o Specter Portal. Conforme a empresa, isso permite que o invasor interaja com ambientes Microsoft comprometidos e acesse recursos permitidos pelo token, como e-mail, arquivos e outros serviços vinculados à conta.

Riscos e recomendações para CISOs

Embora a Push Security tenha testado o ConsentFix v3 com suas contas pessoais da Microsoft, a empresa afirmou que o impacto real depende de permissões, serviços e configurações do inquilino, entre outros fatores. A empresa destacou que a mitigação é complicada porque a confiança em aplicativos de primeira parte é arquitetural. No entanto, a Push Security recomenda que administradores adotem medidas como aplicar vinculação de token (token binding) a dispositivos confiáveis, configurar regras de detecção comportamental e impor restrições de autenticação de aplicativos. A empresa ainda informa que, embora ataques ConsentFix sejam usados em campanhas reais, não está claro se a variante v3 já ganhou tração entre cibercriminosos.