A 29ª edição da Global CEO Survey, divulgada pela consultoria PwC em 19 de janeiro de 2026 durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, aponta uma queda na confiança dos líderes empresariais sobre o crescimento das receitas no curto prazo. Segundo o levantamento, que ouviu 4.454 CEOs em 95 países e territórios entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025, apenas 30% dos executivos estão muito ou extremamente confiantes no aumento do faturamento para os próximos 12 meses. O índice representa um recuo em comparação aos 38% registrados no início de 2025 e aos 56% observados em 2022.
A retração no otimismo ocorre em um cenário de pressões externas e desafios internos de transformação. A instabilidade macroeconômica é citada por 31% dos gestores como uma ameaça financeira significativa, empatada com os riscos cibernéticos, que subiram de 24% para 31% no último ano. Adicionalmente, 42% dos líderes manifestaram preocupação com a velocidade das mudanças tecnológicas e a capacidade de suas organizações em acompanhar esse ritmo de evolução.
Impactos da inteligência artificial e barreira de produtividade
A integração da inteligência artificial nas operações corporativas revela uma divisão entre as empresas. Embora a tecnologia seja um foco central de investimento, 56% dos CEOs relataram não ter percebido benefícios financeiros diretos, como redução de custos ou aumento de receita, até o momento. Em contrapartida, 12% dos entrevistados afirmaram que a adoção da IA já gerou ganhos em ambas as frentes financeiras.
No Brasil, os dados indicam uma tendência específica para o mercado de trabalho. Conforme o estudo, 60% dos CEOs brasileiros preveem uma redução nas vagas para profissionais em início de carreira nos próximos três anos devido à automação de funções operacionais. Marco Castro, CEO da PwC Brasil, alertou que essa mudança estrutural exige uma redefinição das trajetórias profissionais para evitar a escassez de lideranças preparadas no futuro. A pesquisa detalha que as funções de nível sênior e médio devem sofrer impactos menores comparadas às posições de entrada.
Necessidade de reinvenção e novos fluxos de investimento
A viabilidade dos negócios a longo prazo permanece como um ponto de atenção para os executivos. O relatório indica que um terço dos líderes globais não acredita que suas empresas serão economicamente sustentáveis em dez anos caso mantenham os modelos atuais. Para enfrentar essa perspectiva, 51% dos CEOs planejam realizar investimentos internacionais em 2026, com os Estados Unidos mantendo a posição de principal destino, enquanto o interesse pela Índia dobrou em relação ao ano anterior.
A estratégia de expansão para novos setores também ganhou força, com 42% das companhias passando a competir em mercados adjacentes nos últimos cinco anos. Mohamed Kande, presidente global da PwC, destacou que o ano de 2026 será decisivo para determinar quais organizações conseguirão converter investimentos tecnológicos em retornos mensuráveis. O estudo conclui que a velocidade de execução e a gestão de riscos, incluindo a exposição a tarifas comerciais mencionada por 20% dos gestores, serão os fatores diferenciais na competitividade da economia global.






