CIA controlou fornecedor de criptografia até 2018

Da Redação
11/02/2020
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A Crypto AG, um dos maiores e preferidos fornecedores globais de equipamentos de criptografia para governos e agências de segurança de aproximadamente 120 países era de propriedade da CIA. De 1970 a 2018, a agência de espionagem americana tinha as chaves para ler toda comunicação cifrada pelos produtos da Crypto AG. A empresa genhou milhões de dólares com a venda dos equipamentos para governos como os do Irã, de juntas militares na América Latina, Índia, Paquistão e até para o Vaticano. A CIA não estava sozinha nesse empreendimento: a Crypto AG era uma parceria com a BND, a agência de espionagem da Alemanha. Essas informações foram publicadas hoje pelo jornal The Washington Post e pela TV pública alemã ZDF.

Os dois tiveram acesso a dois relatórios sobre o assunto: o primeiro é um resumo de 96 páginas da operação, concluído em 2004 pelo Centro de Estudos da Inteligência da CIA, um setor interno de documentação histórica. O segundo é uma história oral compilada por oficiais de inteligência alemães em 2008.

A operação teve dois nomes: primeiro se chamou “Thesaurus” e depois “Rubicon”. “Foi o golpe de inteligência do século”, diz o relatório da CIA obtido pelo Post e pela ZDF. “Os governos estrangeiros estavam pagando um bom dinheiro aos EUA e à Alemanha Ocidental pelo privilégio de ter suas comunicações mais secretas lidas por pelo menos dois (e possivelmente até cinco ou seis) países estrangeiros”, diz o relatório classificado sobre a operação. Ela nasceu em plena guerra fria e foi um dos segredos mais bem guardados da agência.

A Crypto AG ficava em Steinhausen, e além dos equipamentos de criptografia também prestava serviços. Com cerca de 230 funcionários, tinha escritórios em Abidjan, Abu Dhabi, Buenos Aires, Kuala Lumpur, Muscat e Selsdon. Os verdadeiros proprietários da empresa eram propvavelmente desconhecidos até mesmo dos gerentes. A propriedade era mantida por meio de ações ao portador.

O esquema com a Crypto AG, no entanto, tinha certas limitações. Os principais adversários dos EUA, incluindo a União Soviética e a China, nunca foram seus clientes. Eles suspeitavam dos laços da empresa com o Ocidente os protegeram-se da exposição. Mas os fatos e a história da CIA indicam que os espiões dos EUA obtiveram muitas informações sobre China e Rússia monitorando as interações de outros países com Moscou e Pequim.

A agência de espionagem alemã deixou a operação no início dos anos 90, por acreditar que o risco de exposição era muito grande, enquanto a CIA continuou na empresa após comprar a parte dos alemães. Em 2018, vendeu a empresa a seus atuais proprietários.

Com agências internacionais

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