China diz que investigará a Micron para garantir cibersegurança

Da Redação
03/04/2023

A agência que administra o ciberespaço (CAC, na sigla em inglês) da China disse que fará uma revisão dos produtos Micron Technology, fabricante americana de chips de memória para computador, vendidos no país devido ao que o governo diz ser uma necessidade para proteger sua cadeia de suprimentos, segundo o The Wall Street Journal.

Em um comunicado de imprensa divulgado na sexta-feira, 31 de março, a Micron Technology disse que estava ciente que a administração do ciberespaço da China havia anunciado planos para conduzir uma revisão de segurança cibernética nos produtos da empresa. “Estamos em contato com o CAC e cooperando plenamente. A Micron está empenhada em conduzir todos os negócios com integridade inflexível e defendemos a segurança de nossos produtos e nossos compromissos com os clientes.”

As tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China têm respingado cada vez mais no setor privado. Os EUA proibiram a maioria das importações da Huawei, fabricante chinesa de celulares e dispositivos de rede de telecomunicações, no fim de 2010, alegando questões de segurança. Tanto o ex-presidente Donald Trump quanto o atual presidente Joe Biden ameaçaram banir a plataforma de mídia social TikTok do país. Um projeto de lei para que isso possa se materializar encontra-se parado no Senado americano. A China proíbe uma ampla gama de empresas americanas de operar no país comunista, incluindo o Facebook, Google, Twitter, Reddit, Tumblr, Pinterest, Slack, Twitch, Discord, Dropbox, Quora, Wikipedia e dezenas de outras.

A investigação sore a Micron ocorre enquanto a fabricante de chips está trabalhando para aumentar a produção de semicondutores nos EUA, incluindo a instalação de uma fábrica adjacente à sua sede em Boise e uma fábrica ainda maior planejada no interior do estado de Nova York, que deverão consumir US$ 15 bilhões em investimentos. O governo americano prometeu subsídios significativos e outros tipos de apoio para empresas que aumentarem a produção doméstica.

Quase 11% das vendas totais da Micron vieram da China continental no ano passado, que representaram cerca de US$ 3,3 bilhões. O relatório anual da empresa  emitiu uma nota de advertência no outono passado. “Enfrentamos a ameaça de aumento da concorrência como resultado de investimentos significativos na indústria de semicondutores pelo governo chinês e várias entidades estatais ou afiliadas… Além disso, o governo chinês pode nos impedir de participar do mercado daquele país ou pode nos impedir de competir efetivamente com empresas chinesas.”

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A Micron produz chips em todo o mundo, inclusive em Taiwan, que é governado de forma independente desde 1949, mas que a China o vê como parte de seu território e tem uma política declarada do que chama de “reunificação”.Esta não é a primeira vez que o conflito entre a China e a Micron surge.

A Micron entrou com uma ação judicial em 2018 contra uma empresa estatal chinesa e uma empresa parceira de Taiwan, alegando que roubaram os segredos comerciais da fabricante de chips. No mesmo mês, as empresas chinesas e taiwanesas processaram a Micron, alegando que ela violava suas patentes. Enquanto os casos aumentavam, a Micron foi temporariamente impedida de vender alguns produtos na China. A Micron e a empresa taiwanesa finalmente chegaram a um acordo.

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