Brasil já é o 2º país em vazamentos de dados de cartões

Apesar de estar na vice-liderança, país teve recuo em vazamentos de dados no último trimestre de 2019, já que no terceiro anterior os cartões brasileiros somavam 49,9% do total vazado mundialmente, indica estudo da Axur

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O vazamento de cartões de crédito e de débito no Brasil atingiu 93.093 no último trimestre do ano passado, o que representa um aumento de 12,7% na comparação com trimestre anterior, de acordo com levantamento feito pela Axur, empresa de monitoramento e reação a riscos digitais na internet. Os dados foram extraídos da base de dados da empresa e compõem o relatório intitulado “Atividade Criminosa On-line no Brasil”.

Para chegar ao número de cartões expostos, a empresa analisou os BINs (bank identification numbers) — os seis primeiros números que identificam o emissor do cartão — com mais vazamentos de dados no quarto trimestre. Foram selecionados aqueles que tiveram 100 ou mais cartões expostos. Ao todo, a Axur contabilizou 730.535 cartões distribuídos em 713 diferentes BINs globalmente, o que perfaz 79,9% do detectado no trimestre. Deste total, 171 BINs foram de instituições brasileiras, ou seja, 23,9% dos cartões expostos no período.

Isso coloca o Brasil como o segundo país com mais vazamentos de dados de cartões de crédito e débito online, ficando atrás somente dos Estados Unidos, país campeão em vazamentos no quarto trimestre, com 284 BINs (39,8% do total), somando 505.982 cartões expostos, aponta a Axur. Apesar de estar na vice-liderança, o Brasil teve recuo em vazamentos de dados no período, já que no terceiro trimestre os cartões brasileiros somavam 49,9% do total vazado mundialmente.  

O estudo da Axur traz os principais dados referentes a phishing, malwares, infrações em uso de marca e vazamento de dados extraídos. O levantamento mostra evolução significativa das atividades criminosas on-line no país ao longo de 2019. O número de phishing, páginas falsas que capturam dados de consumidores, registrou recorde no Brasil com crescimento de 231,5% entre fevereiro e dezembro, com pico anual no último mês de 2019. Apenas no quarto trimestre, foram 8.762 casos, com destaque para a semana da Black Friday.

Perfis falsos em redes sociais estão entre um dos principais métodos de pirataria e vendas não autorizadas, que também funcionam para furto de dados em páginas de phishing. O aumento dos ciberataques no Brasil segue a linha de tendência também vista nos recentes dados mundiais da APWG (Anti-Phishing Working Group).

Além de atividades de phishing e vazamento de credenciais (e-mails com senha) e cartões de crédito, é notório o número de senhas vazadas de organizações com domínios .br: foram 23,6 milhões de credenciais únicas detectadas, sendo 123456 a senha mais comum com 37,65 milhões de detecções no mundo.

“Com tantos dados sendo capturados [e expostos], uma das nossas principais metas de 2019 foi tornar pública a verificação de senhas vazadas a partir de nossa base, que tem hoje mais de 9 bilhões de credenciais já expostas em web superficial, deep e dark web,” diz Fábio Ramos, CEO da Axur.

O executivo afirma que a Lei Geral de Proteção de Dados, LGPD, prevista para entrar em vigor a partir de agosto de 2020 no país, ressalta a importância e urgência em entender os perigos digitais que estão presentes na plataforma MinhaSenha.com elaborada pela empresa.

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