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Botnet de sextortion afeta 30 mil e-mails

Da Redação
17/10/2019
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Sem saber, as pessoas enviam e-mails de extorsão para outras 27 milhões. Botnet contorna o Gmail, Outlook ou qualquer outro aplicativo que deixe rastros

Pessoas têm sido usadas como vetores de ameaça — e ao mesmo tempo, vítimas — de campanhas de sextortion, que é quando alguém recebe um e-mail de extorsão que exige pagamento por chantagem, ameaçando expor o conteúdo sexual ou íntimo capturado geralmente através de sua própria webcam.

Durante um período de cinco meses, os pesquisadores da Check Point expuseram um malware muito grande e “normal” que está se aproveitando de suas vítimas infectadas para enviar, sem que elas saibam, e-mails de abuso sexual para as massas de maneira semelhante a uma máquina. A enorme velocidade e volume de e-mails gerados é impressionante.

A ideia por trás da campanha de sextortion é simples: um e-mail exige pagamento de chantagem ameaçando expor conteúdo sexual relacionado ao destinatário, se não for obedecido. Muitas pessoas recebem esses e-mails ou conhecem outras que os receberam. Poucas pagaram as quantias solicitadas, mas é possível que uma delas, hoje, tenha distribuído 15 mil e-mails de abuso sexual a vítimas.

Trata-se de um malware chamado Phorpiex. Ativo por cerca de uma década, o Phorpiex opera mais de 450 mil hosts infectados , e esse número está crescendo rapidamente. No passado, o Phorpiex monetizava, principalmente, distribuindo várias outras famílias de malware e usava seus hosts para minerar criptomoedas, mas, recentemente, os pesquisadores observaram que o Phorpiex adicionou uma nova forma de geração de receita a suas habilidades: um bot de spam usado para executar as campanhas de Sextortion numa escala maior jamais vista.

Como se executa a campanha de sextortion

O Phorpiex usa um bot de spam que baixa um banco de dados de endereços de e-mail de um servidor de comando e controle (C&C). O que acontece a seguir é que um endereço de e-mail é selecionado aleatoriamente no banco de dados baixado e uma mensagem é composta de várias cadeias codificadas.

O bot de spam pode produzir uma quantidade astronômica de e-mails de abuso sexual: o bot de spam cria um total de 15 mil tarefas de execução (threads) para enviar mensagens de spam de um banco de dados. Cada tarefa usa uma linha aleatória do arquivo baixado. O próximo arquivo de banco de dados é baixado quando todas as tarefas de execução de spam terminam. Se considerar os atrasos, pode-se estimar que o bot é capaz de enviar cerca de 30 mil e-mails em uma hora.

Cada campanha de sextortion individual pode cobrir até 27 milhões de vítimas em potencial. O Phorpiex usa bancos de dados com senhas vazadas em combinação com endereços de e-mail. A senha da vítima geralmente é incluída em uma mensagem de e-mail para torná-la mais persuasiva, mostrando que a senha é conhecida pelo hacker. Os e-mails desse ataque começam com a senha para chocar a vítima. A seguir, um exemplo:

Para enviar e-mails, o Phorpiex usa uma implementação simples do protocolo SMTP. O endereço do servidor SMTP é derivado do nome de domínio de um endereço de e-mail.

Depois de estabelecer uma conexão com o servidor SMTP e receber uma mensagem de convite, o bot de spam envia uma mensagem com seu próprio endereço IP externo.

Carteiras de Bitcoin usadas para coletar receita

A Check Point registrou transferências de mais de 11 BTC (atualmente acima de US$ 110 mil) para as carteiras de sextortion de Phorpiex durante os cinco meses de pesquisa da empresa. Isso pode não parecer muito, mas para uma operação de baixa manutenção que requer apenas uma grande lista de credenciais e a substituição ocasional de uma carteira, isso proporciona uma boa renda mensal de US$ 22 mil. O número real de receita coletada é provavelmente mais significativo, pois os pesquisadores não monitoraram as campanhas de sextortion nos anos anteriores. De acordo com a publicação anual de 2018, o FBI IC3 (Internet Crime Complaint Center) registrou um aumento de 242% nos e-mails de extorsão, a maioria dos quais são e-mails de Sextortion, com perdas totais de US$ 83 milhões em crimes relatados.

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