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Avast expõe armadilha da confiança na IA no Brasil

O relatório Avast 2026 Safe Tech, publicado em 22 de setembro, revela que 73% dos adultos brasileiros acreditam que identificariam uma falsificação criada por IA assim que a vissem, enquanto 70% já compartilharam ou consideraram compartilhar informações sensíveis com uma ferramenta de IA. A Avast, parte da Gen (NASDAQ: GEN), encomendou o estudo para entender como as pessoas lidam com confiança, privacidade e IA no cotidiano.

Certeza de identificar falsificações não protege dados

“Ter confiança de que você identificaria uma falsificação criada por IA e saber quando e como proteger seus dados são duas habilidades diferentes, mas a confiança em uma pode fazer as pessoas acreditarem que estão seguras com a outra, e essa é a armadilha”, afirma Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Gen. O executivo alerta que chatbots não são confidentes e que o usuário deve verificar o que a ferramenta faz com seus dados antes de compartilhá-los. Dados do Relatório de Ameaças da Gen mostram que a IA esteve envolvida em dezenas de milhões de interações em vídeo no primeiro semestre de 2026, e cerca de 1 em cada 30 foi sinalizada como golpe.

Compartilhamento de dados no trabalho preocupa

No ambiente profissional, 30% dos adultos compartilharam ou consideraram compartilhar um documento de trabalho com um chatbot, e outros 30% fizeram o mesmo com capturas de tela de mensagens privadas ou e-mails. Outros 28% compartilharam ou consideraram compartilhar um currículo. Conforme o relatório, o risco maior não é o vazamento pontual, mas a permanência dos dados na memória dos sistemas, que podem ser expostos em violações futuras ou incorporados a treinamentos sem conhecimento do usuário.

Sinais de alerta conhecidos, mas ignorados

Metade dos brasileiros (50%) aponta a oferta boa demais para ser verdade como o sinal mais fácil de ignorar, seguida pelo pedido de informações pessoais “apenas para confirmar” (45%) e pela pressão para agir rápido (37%). Michal Salat, diretor de Inteligência de Ameaças no Gen Threat Labs, observa que os criminosos continuam explorando gatilhos psicológicos como urgência, confiança e medo, ainda que a tecnologia evolua. Quando algo suspeito chega, 34% apagam e não comentam com ninguém, e 24% investigam por conta própria.

Conhecimento sobre golpes não vira conversa

Entre os 94% dos brasileiros que consomem conteúdo sobre golpes no estilo true crime, 67% dizem ficar mais atentos e 59% mais desconfiados. Apenas 48% usaram esse conteúdo para iniciar uma conversa com amigos ou familiares. Para sair da armadilha, o relatório recomenda três hábitos: compartilhar menos por padrão, questionar a pressão para agir rápido e dividir o conhecimento com pessoas próximas.