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Americanos perderam US$ 12,5 bi com fraudes online em 2023

A fraude de investimento foi a que registrou o maior número de perdas decorrentes de crime digital, atingindo US$ 4,57 bilhões
Da Redação
07/03/2024

Mais de US$ 12,5 bilhões foram perdidos pelos americanos no ano passado com fraudes online em casos relatados pelas próprias vítimas, de acordo com o “Relatório Anual de Crimes na Internet” do FBI. A cifra representa um aumento de 22% em relação ao ano anterior.

O relatório compila informações do Centro de Reclamações sobre Crimes na Internet (IC3) do FBI e mostra um aumento constante de fraudes em quase todos os níveis. O centro registrou mais de 880 mil reclamações. O IC3 agrega dados apenas para casos notificados, portanto os valores reais em dólares podem ser muito mais elevados.

A fraude de investimento foi a que registrou o maior número de perdas decorrentes de crime digital, atingindo US$ 4,57 bilhões, um salto de 38% em relação ao ano anterior. De acordo com o FBI, US$ 3,94 bilhões dessas perdas estavam ligadas a fraudes em investimentos em criptomoedas.

Desde 2021, as perdas anuais relatadas por fraude em investimentos em criptomoedas mais do que triplicaram, resultantes principalmente de golpes de engenharia social, como o conhecido pelo termo em inglês “pig butchering scams” (abate de porcos), um tipo de golpe de investimento em que as vítimas são gradualmente levadas a adquirir confiança em um golpista e atraídas a fazer investimentos crescentes, na forma de criptomoeda, aparentemente confiável antes que a parte com quem estão negociando desapareça.Muitas das fraudes têm origem no Sudeste Asiático e são operações altamente organizadas, supervisionadas por sindicatos do crime que aproveitam o trabalho forçado.

“Notavelmente, diferentes faixas etárias tendem a ser afetadas por diferentes crimes”, disse o FBI no relatório. “As vítimas de 30 a 49 anos foram o grupo com maior probabilidade de relatar perdas decorrentes de fraudes em investimentos.”

O segundo tipo de crime mais destacado pelo IC3 foram os golpes de comprometimento de e-mail comercial (BEC), que representaram perdas de US$ 2,9 bilhões. Muitas vezes, eles envolvem contas de fornecedores comprometidas, solicitações de informações do W-2 (formulário de Imposto de Renda usado nos Estados Unidos) e fraudes imobiliárias.

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Como o FBI alertou no ano passado, os golpistas “estão cada vez mais usando contas de custódia mantidas em instituições financeiras para trocas de criptomoedas ou processadores de pagamentos de terceiros, ou fazendo com que indivíduos visados enviem fundos diretamente para essas plataformas, onde os fundos são rapidamente dispersos”. “Com essas táticas crescentes de fundos indo diretamente para plataformas de criptomoedas e processadores de pagamentos de terceiros… isso enfatiza a importância de aproveitar a autenticação de dois fatores ou multifatores como uma camada de segurança adicional”, disseram os investigadores.

O ransomware também esteve em alta depois de cair em 2022, e as perdas ajustadas aumentaram 74%, para quase US$ 60 milhões. A polícia federal americana recebeu quase 1.200 reclamações de organizações de um setor de infraestrutura crítica afetado por um ataque de ransomware, sendo o setor de saúde responsável por 249 dessas reclamações.

O relatório destacou alguns pontos positivos naquele que foi, em geral, um ano alarmante para a fraude cibernética. A Equipe de Recuperação de Ativos (RAT) do IC3 congelou mais de US$ 538,39 milhões após reclamações de fraude. A equipe foi criada em 2018 como elemento de ligação entre instituições financeiras e escritórios de campo para recuperar ativos roubados.

Para ter acesso ao relatório completo do FBI (em inglês) clique aqui.

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