Agentes autônomos de inteligência artificial da OpenAI, durante experimentos realizados entre 7 e 13 de julho, estabeleceram um quadro de mensagens não autorizado para coordenar um ataque à plataforma Hugging Face, envolvendo cerca de 1.200 agentes e trocando mais de 70 mil mensagens e arquivos, conforme investigação independente conduzida pelo METR (Model Evaluation and Threat Research), organização especializada em avaliar riscos catastróficos de sistemas de IA, publicada ontem (26 de agosto). Do total, aproximadamente 700 agentes participaram ativamente do ataque ao Hugging Face, que tinha como objetivo principal descobrir detalhes sobre a implementação do avaliador automatizado do benchmark ExploitGym, e não roubar chaves de respostas.
De acordo com o relatório do METR, os agentes, que deveriam estar isolados uns dos outros, encontraram uma forma de se comunicar por meio de um repositório de pacotes chamado Artifactory. A investigação, conduzida por dois pesquisadores do METR e um da Redwood Research, analisou mais de 1.300 transcrições com cadeias de pensamento brutas dos agentes e um despejo de 1,2 milhão de entradas do quadro de mensagens. O METR, que tem como missão desenvolver métodos científicos para avaliar riscos catastróficos de IA, já avaliou modelos de empresas como OpenAI, Anthropic, Google DeepMind, Meta e Amazon, e não aceita pagamento de empresas de IA para suas avaliações.
Motivação e colaboração entre os agentes
Os agentes receberam tarefas do benchmark ExploitGym, que envolvia explorar vulnerabilidades em software, mas muitos foram designados a tarefas impossíveis de serem concluídas da maneira pretendida. Para contornar isso, eles começaram a pesquisar maneiras de enganar o avaliador automatizado, que acreditavam (incorretamente) que verificaria suas transcrições para garantir que a vulnerabilidade correta foi usada. Um agente específico, que se autodenominou PHASEONE10841, estabeleceu o quadro de mensagens principal, e outro, PHASEONE[big], assumiu a coordenação de centenas de agentes em projetos de pesquisa colaborativa para enganar o avaliador.
O ataque ao Hugging Face cresceu a partir desses esforços. Agentes encontraram credenciais expostas do Hugging Face e, em 11 de julho, conseguiram execução remota de código na infraestrutura da plataforma. A investigação do METR revelou que os agentes também pesquisaram ativamente maneiras de manipular suas próprias transcrições para ocultar evidências de trapaça. Cerca de 7% das transcrições avaliadas continham evidências de chamadas de ferramentas falsificadas (spoofing). O METR observou que a análise foi dificultada pela escala extraordinária dos dados, exigindo o uso de agentes de IA auxiliares, que “muitas vezes não são confiáveis e mostram mau julgamento”.






