A inteligência artificial deixou de ser experimental e tornou-se uma carga de trabalho de produção crítica, mas 88% das organizações globais enfrentam desafios de segurança relacionados à IA. Os dados constam do relatório “State of Application Strategy 2026”, publicado ontem pela empresa de segurança F5. O estudo ouviu 1.100 líderes de TI e cibersegurança de organizações que faturaram entre 6 e 10 bilhões de dólares em 2025. A pesquisa revela que 78% das empresas executam inferência de IA por conta própria, e 98% estão se preparando para a era da IA agêntica — sistemas autônomos que, segundo o relatório, precisarão de identidades, permissões e proteções assim como usuários humanos.
Governança de IA e identidade como novos centros de segurança
O relatório da F5 indica que a segurança dos sistemas de IA tornou-se uma prioridade em toda a empresa, deslocando o perímetro de segurança tradicional para as camadas de prompt, token e identidade. Quase 29% dos entrevistados identificaram as camadas de prompt como seu principal mecanismo de entrega de dados, enquanto 23% priorizam as camadas de token. Para a IA agêntica, 77% dos participantes esperam problemas com gerenciamento de identidade e controle de acesso — a preocupação mais citada, à frente de roubo de credenciais e visibilidade insuficiente. Outros 88% dos entrevistados relataram já ter enfrentado desafios de segurança relacionados à IA em suas organizações.
Inferência própria e riscos de plataformas públicas
A pesquisa mostra que 93% das organizações operam em ambientes híbridos e multicloud, e 86% distribuem aplicações entre infraestrutura local, nuvem pública e colocation. No entanto, apenas 8% das empresas dependem exclusivamente de serviços públicos de IA como serviço, considerados arriscados e desalinhados com as realidades empresariais. A maioria está construindo portfólios diversificados de modelos (sete modelos em média por organização), o que exige controles sofisticados de roteamento, fallback e políticas para gerenciar custo, precisão, disponibilidade e, segundo o documento, segurança. O relatório conclui que o valor e o risco da IA estão concentrados nos sistemas que governam a inferência, não nos modelos em si.






