86% das redes acusam disrupção após home office global

Paulo Brito
30/04/2020

Pesquisa de Março do grupo de líderes Neustar mostra que houve problemas de graves a moderados nas redes de dois terços dos participantes, mas no total 86% dos entrevistrados relataram algum tipo de problema causado pelo home office global

O Conselho Internacional de Segurança da Neustar, grupo de líderes em segurança cibernética de grandes empresas, publicou a pesquisa sobre estabilidade de redes de Março de 2020 e constatou grande quantidade de problemas. Praticamente dois terços (64%) dos participantes relataram problemas de moderados (41%) a graves (23%). Mas no total houve problemas nas redes de 86% dos entrevistrados, com 22% indicando a ocorrência de problemas considerados pequenos. A conectividade VPN também trouxe desafios. Apenas 22% das VPNs corporativas suportaram a mudança para o trabalho remoto “perfeitamente”, sem problemas, descobriram os pesquisadores. Mais de 60% viu “pequenos problemas de conectividade”, mas disse que as VPNs se saíram bem no geral, enquanto 14% disseram que os resultados foram irregulares e apenas 3% disseram que os principais problemas de VPN ocorreram em meio à transição para o trabalho remoto.

A pesquisa de março ouviu 303 profissionais que ocupam altos cargos de TI e segurança em suas organizações, com o objetivo de aferir o estado atual da segurança cibernética nos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Ásia. Março mostrou um índice de benchmark cibernético de 33,1, “mantendo a tendência ascendente e um aumento mais significativo do que o típico”, dizem os pesquisadores em seu relatório. O índice de janeiro de 2020 era 29,8, em novembro de 2019 era 28,2 e em setembro de 2019 era 26,9. Os resultados indicam uma tendência crescente de aumento do risco e respostas acima da média nos últimos 17 meses.

Percepção das ameaças de ataque aumentou

A ameaça de ataque aumentou em todos os setores e vindo de todos os vetores – cerca de 10% ou mais, diz Michael Kaczmarek, vice-presidente de produtos dos negócios de segurança da Neustar. Dada a mudança na forma pela qual as empresas precisam fazer negócios agora, como um aumento no trabalho remoto e falta de recursos para apoiá-lo, a percepção de uma ameaça de ataque se tornou muito maior.

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Os dados mostram que a maioria das empresas estava preparada para um incidente como a pandemia de coronavírus: quase três quartos (71%) possuíam um plano de negócios para proteger suas redes em caso de um grande evento não planejado ou prolongado. Menos de 30% foram pegos desprevenidos pelo COVID-19. Ainda assim, a preparação não significa que as coisas correm bem, especialmente se as organizações não souberem exatamente o que querem. A pandemia redefiniu o modo pelo qual as empresas abordam a continuidade dos negócios, explica Kaczmarek.

No entanto, ele observa que os recursos de muitas empresas já estavam escassos e suas equipes tinham de priorizar o que era importante para o trabalho com outras pessoas na sede da empresa. Agora, as ameaças aos negócios direcionadas a esses recursos podem estar menos visíveis, porque nem todos os monitores estão disponíveis remotamente, dificultando ainda mais o trabalho em conjunto e a proteção.

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