Toyota comunica invasão da rede em Tóquio

A Toyota está na mira dos hackers: depois de uma invasão da sua operação na Austrália em fevereiro, agora é a vez do Japão. A empresa publicou sexta-feira um comunicado informando que os dados de 3,1 milhões de clientes podem ter vazado. O que aconteceu na verdade é que houve acesso não autorizado na rede das subsidiárias em Tóquio, as quais dão acesso a um servidor que armazena dados de clientes.

A empresa afirma que não foram expostos dados de cartões de crédito mas há outras informações sensíveis que podem ter vazado. Por enquanto, a Toyota admite somente que houve acesso não-autorizado na rede, sem confirmar o vazamento dos dados.

Em fevereiro, o ataque paralisou o site da empresa em Melbourne e outros todos os outros meios de comunicação, inclusive sua rede telefônica e seu servidor de e-Mails.

O comunicado da Toyota diz o seguinte:

Aviso da possibilidade de vazamento de informações do cliente em nossos revendedores da área de Tóquio

Em 21 de março de 2019, nossas subsidiárias de vendas Toyota Tokyo Holdings, Tokyo Motor, Toyopet, Toyota Corolla, Redes Toyota Tokyo, além das empresas Lexus Koishikawa Sales, Jamil Shoji (Lexus Nerima) e Toyota Oeste Tóquio Corolla registraram acesso não-autorizado à rede e a um servidor conectado à rede. Descobriu-se que até 3,1 milhões de itens de informações de clientes podem ter vazado para fora da empresa. As informações que podem ter vazado desta vez não incluem informações sobre cartões de crédito.

Não confirmamos neste momento o fato de que informações do cliente vazaram, mas continuaremos a conduzir pesquisas detalhadas, priorizando a segurança e a segurança do cliente.

Pedimos desculpas a todos que estiveram usando veículos Toyota e Lexus pela grande preocupação.

Levamos essa situação a sério e implementaremos medidas de segurança da informação nas concessionárias e em todo o Grupo Toyota.

Pesquisadores alertam: brecha nas motherboards

Uma ferramenta de testes não-documentada, disponível nos chipsets da Intel, pode ser abusada a ponto de exibir todo o conteúdo de um computador. A ferramenta se chama Intel VISA, fica dentro do Platform Controller Hub da motherboard e foi descoberta por pesquisadores da Positive Technologies, que tem sede em Boston. Eles fizeram um relato sobre o assunto no evento BlackHat Asia. A ferramenta, segundo eles, pode ser abusada pelo uso de vulnerabilidades existentes previamente. Os pesquisadores alegam que isso pode ser utilizado por malfeitores, dando a eles acesso completo a todos os dados de um dispositivo afetado.

Essa tecnologia é chamada de Visualização da Arquitetura de Sinais Internos (VISA). Ela é utilizada na fase de testes, durante a fabricação, e por isso não é documentada. Maxim Goryachy e Mark Ermolo, os pesquisadores de segurança da Positive, disseram em sua palestra quinta-feira passada que o VISA pode ser acessado e abusado para captura de dados da CPU, por meio de uma série de vulnerabilidades descobertas previamente na tecnologia da Intel.

“Nós pesquisamos esta tecnologia inicialmente não como modo de ataque, mas como uma ferramenta poderosa e útil para investigar o funcionamento interno dos chips”, disseram os pesquisadores. “Tínhamos acesso físico à plataforma e trabalhando com o VISA fizemos nossas experiências. Não estávamos pensando nele do ponto de vista do atacante e não temos como dar mais vetores [de ataque], apesar desse acesso físico”.

Segundo os pesquisadores, o Intel VISA é desabilitado por default nos sistemas comerciais. Mas eles encontraram várias maneiras de ativar essa tecnologia. Isso permitiu que parcialmente tivessem acesso à arquitetura interna do platform Controller Hub e, de dentro desse chip, tivessem acesso a dados críticos.

A Intel informou que já mitigou as vulnerabilidades mencionadas e que poderiam ser abusadas pelo VISA. Segundo a empresa, esse problema, como discutido no Blackhat, se baseia em acesso físico a uma vulnerabilidade mitigada e abordada no INTEL-SA-00086, de 20 de novembro de 2017. Numa declaração sobre o assunto, a Intel informou que clientes que aplicaram esta mitigação estão protegidos dos vetores conhecidos. Os pesquisadores informaram a Intel sobre o VISA em novembro de 2018. Eles disseram que as correções informadas pela empresa são insuficientes para proteger o Chipset das vulnerabilidades em relação ao VISA.

 

Hackers anunciam invasão do site Hospital das Clínicas

Aviso no site do HC até as 13h de hoje

Dois hackers publicaram há 36 horas informações alegando que invadiram cinco servidores http relacionados à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. As informações, se confirmadas,  indicam que os cinco servidores têm vulnerabilidades graves. Um deles, o do Hospital das Clínicas da USP, esteve inoperante pelo menos até as 13h30 de hoje para o público externo, com uma tela avisando “site em manutenção”; o servidor que atende, entre outros departamentos, o de Psiquiatria, em http://hcnet.usp.br, estava desconectado da Internet.

O Cisoadvisor entrou em contato por telefone e por e-Mail com a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas, solicitando esclarecimentos para a manutenção do site do HC e para o downtime do hcnet. O retorno foi dado por e-Mail às 21h06, com a seguinte nota: “O HCFMUSP informa que houve uma tentativa de invasão a seu site, mas a própria estrutura de segurança do HC impediu o acesso a dados sensíveis da instituição, como informações sobre pacientes. O próprio HCFMUSP retirou momentaneamente sua página do ar para garantir a segurança e avaliar detalhadamente a tentativa de ataque”. A home page do hospital continua exibindo, neste momento, a tela “site em manutenção” com apenas um link em funcionamento, conduzindo à página de resultados de exames.

Em posts nos sites Zone-H e Pastebin, dois hackers publicaram informações indicando que comprometeram os seguintes servidores:

  • http://www.hc.fm.usp.br
  • http://hcnet.usp.br
  • http://autoatendimento.hc.fm.usp.br
  • http://resultados.hc.fm.usp.br
  • http://cirurgiaconvenio.hc.fm.usp.br

Nos posts foram publicados detalhes supostamente desses servidores, entre os quais os nomes de 111 tabelas, os nomes de quatro colunas de uma dessas tabelas, com indicação do tipo de dado contido, além de uma lista de 22 usuários do sistema, com seu número de matricula, nome do usuário e senha, tudo em texto aberto. Os três últimos servidores estavam em operação quando fizemos a consulta ao endereço. Em todos, contudo, hove desfiguração, publicada no Zone-H.

Os hackers publicaram ainda detalhes de sistema operacional e gerenciador de banco de dados, incluindo a sua versão.

1 milhão de ASUS podem estar com backdoor

Talvez sejam só 57 mil (só????) Mas pode chegar a um milhão o número de notebooks da ASUS contaminados com um backdoor. A descoberta foi feita por pesquisadores da Kaspersky e publicada ontem. Segundo eles, “um agente de ameaças modificou o ASUS Live Update Utility, que fornece BIOS, UEFI e atualizações de software para laptops e desktops ASUS, adicionou uma backdoor no utilitário e o distribuiu aos usuários por meio de canais oficiais”.

O utilitário contaminado, segundo relatório da Kaspersky, foi assinado com um certificado legítimo e hospedado no servidor oficial de atualizações da ASUS. Isso permitiu que ele permanecesse sem ser detectado por um longo tempo. Os criminosos conseguiram inclusive fazer com que o tamanho do utilitário malicioso fosse idêntico ao original.

Hoje pela manhã, a ASUS emitiu um comunicado que começa classificando o incidente como um problema internacional: “Ataques de Ameaça Persistente Avançada (Advanced Persistent Threat – APT) são ataques em nível nacional geralmente iniciados por alguns países específicos, visando certas organizações ou entidades internacionais em vez de consumidores”. A empresa minimizou o problema, dizendo que “num pequeno número de dispositivos foi implantado código malicioso através de um ataque sofisticado em nossos servidores Live Update, em uma tentativa de atingir um grupo de usuários muito pequeno e específico. O atendimento ao cliente da ASUS entrou em contato com os usuários afetados e proporcionou assistência para garantir que os riscos de segurança sejam removidos”.

Mais de 57.000 usuários da Kaspersky instalaram o utilitário, mas a empresa estima que ele foi distribuído para cerca de 1 milhão de pessoas. O ataque começou na primeira metade do ano passado e foi descoberto pela Kaspersky em janeiro. O comunicado da ASUS diz que o problema foi corrigido na última versão do Live Update, que agora há criptografia de ponta a ponta na comunicação dos dispositivos com o servidor e uma ferramentas de verificação de segurança foi disponibilizada para os clientes determinarem se o seu PC foi afetado.

 

Venezuela pode estar sob ataque cyber?

Um especialista familiarizado com os dispositivos de infraestrutura crítica ligados à Internet não descarta: é possível que a rede de distribuição de energia elétrica da Venezuela esteja sendo atingida por ataques cibernéticos. Desde o início da tarde de hoje falta energia elétrica na capital e nas principais regiões do país. O fato acontece exatamente duas semanas depois da queda de energia que já paralisou a Venezuela por uma semana. O presidente Nicolás Maduro afirma, desde esse último blackout, que se trata de um ataque cibernético.

João Teles, o “c4pt4in”, um conhecedor das plataformas de IoT Shodan e Zoomeye, acha que é cedo para dizer se é ou não um ataque, mas não descarta essa possibilidade. Em entrevista para o Ciso Advisor, ele afirmou que com essas plataformas é possível observar dispositivos de controle da infraestrutura. Ele acha que o problema na Venezuela pode estar sendo causado inclusive por um novo vírus, “no estilo do que atacou a Ucrânia em dezembro de 2015. No caso da Ucrânia, o sistema de gerenciamento remoto foi atacado e os técnicos tiveram de ir no local e operar de lá. Já nesse caso da Venezuela, por que não conseguem operar no local? Ou se ja foram, esse vírus é de fato muito poderoso”, comenta o especialista.

Segundo ele, há muitos dispositivos de controle conectados à internet, parte deles sem nenhum tipo de segurança, permitindo a entrada inclusive com login e senha padrão. O especialista conta que é possível localizar dispositivos vulneráveis inclusive em empresas do setor elétrico do Brasil. Quando perguntado se acha que essas vulnerabilidades podem ser exploradas a ponto de perturbar o fornecimento de energia elétrica para uma cidade ou para um bairro, ele respondeu que sim. “Com toda certeza. Pode acontecer um ataque e alterar-se tudo na distribuição. Um atacante pode restringir o acesso para si, fazendo com que a equipe de manutenção tenha que reiniciar todo o sistema”.

Em termos de sistemas de controle industrial e de internet das coisas, ele acha que o Brasil ainda é “muito novo, e tudo é muito novo. Não conheço mais que três empresas que fazem teste de penetração em infraestrutura críticas. E constantemente vejo algum dispositivo sem proteção alguma ou desatualizado”, comenta.

O Shodan mostra vulnerabilidades em dispositivos de todo tipo, diz o especialista. “Já vi de tudo nesse Shodan, desde roteadores residenciais até tanques de combustiveis. Mas também tem sistemas de link de satélites e sistemas de Rapidlogger” (controles para a indústria de óleo e gás). Já vi desprotegidos também casas automatizadas, sistemas de energia eólica, sistemas de distribuição de energia, de lava jato e pasme: carregador elétrico de carros da Tesla”.

 

Kaspersky explica o LockerGoga

O ransomware LockerGoga já está sendo detectado pela maioria dos produtos de segurança de endpoint –  segundo o site Virustotal. Mas no dia 8 de Março esse malware passou por 67 deles sem qualquer detecção. Essa informação foi prestada pelo especialista em segurança inglês Kevin Beaumont. Ele avisou no Twitter que “apesar de [ter ocorrido] um ataque usando o LockerGoga na Altran (34.000 funcionários) em janeiro, a grande maioria dos produtos anti-malware de segurança de endpoint não estava conseguindo detectá-lo. Ao enviar uma amostra para o VirusTotal, ele não foi detectado por nenhum dos 67 produtos disponíveis”. Para o especialista, essa teria sido uma das causas pelas quais o malware não foi detectado na Norsk Hydro (e agora na Hexion).

O Cisoadvisor consultou a Kaspersky sobre o assunto e a empresa enviou a seguinte explicação: “A detecção por assinatura dessa ameaça foi lançada em 9 de Março, porém nossos produtos já bloqueavam esta ameaça por meio da tecnologia System Watcher. O papel desta tecnologia é executar o bloqueio proativo contra ataques de ransomware. Aproveitando a oportunidade do Norsk Hydro, uma solução dedicada de segurança para infraestrutura crítica industrial é altamente recomendada. Com relação à alegação de que a maioria das soluções de segurança não detectava o ransomware LockerGoga, gostaríamos de esclarecer dois pontos:

  1. Uso do serviço VirusTotal: essa análise não representam 100% da detecção de uma ameaça. Os resultados do VirusTotal são uma referência e não uma conclusão ou avaliação comparativa de performance da detecção de um produto. Vários fatores estão relacionados a isso, porém o mais importante é que os produtos usados dentro do VirusTotal são versões simplificadas para a plataforma, que está preparada para rodar em linha de comando. O VirusTotal não conta com a versão mais recente das soluções, que contam ainda com outras tecnologias de proteção. Para mais detalhes sobre este ponto, recomendamos que consulte o link a seguir: https://support.virustotal.com/hc/en-us/articles/115002094589-Why-do-not-you-include-statistics-comparing-antivirus-performance-
  2. Assinatura Digital: o ransomware LockerGoga conta com uma assinatura digital, que faz com que alguns produtos de segurança não detectem a ameaça, justamente porque software assinado digitalmente costuma ter uma reputação de software limpo. Podemos afirmar que este certificado não impacta a detecção dos nossos produtos, pois já se tornou corriqueiro realizar varreduras em arquivos assinados digitalmente, visto que essa técnica tem sido amplamente abusada e usada por cibercriminosos no mundo todo, inclusive sendo usada em malware brasileiro (exemplo de um encontrado por nós em 2012).

 

Lockergoga pegou também empresa global de química

Ontem, quando aqui eram 20h45, a empresa norte-americana Hexion, especializada principalmente na produção de resinas, publicou no Businesswire um comunicado informando que estava “cuidando” de um incidente de segurança de rede.

Não havia muitos detalhes. Mas não é preciso conhecer muito o assunto para entender situação. No comunicado foram utilizadas expressões como “restaurar a rede, retomar a normalidade das operações, o incidente de rede bloqueou o acesso a certos sistemas e dados, estamos adotando um plano de recuperação, desabilitou e isolou sistemas, comunicou as autoridades, operou com interrupções limitadas, o problema pegou as áreas corporativas, vários sistemas foram desativados inclusive email”.

Servidores down

Precisa dizer mais? O portal de tecnologia Motherboard   conseguiu conversar com funcionário que exibiu um e-mail assinado pelo presidente da empresa, mencionando um blackout global de TI. E mais: o blackout exigia “tropas de elite” para consertá-lo. O funcionário contou que todos os sistemas corporativos caíram, incluindo os servidores de e-mail. O Motherboard informa que enviou um e-mail para um endereço conhecido da empresa e a mensagem, de fato, voltou, não foi entregue.

O incidente teria acontecido no dia 12 deste mês, ou seja, exatamente um dia depois que o ransomware LockerGoga  atingiu a empresa Norsk Hydro na Noruega. A mensagem que apareceu nas telas dos computadores na Hexion é a mesma que apareceu na Norsk Hydro. A única diferença é o endereço de e-Mail para negociação. Mas nos dois casos o endereço pertence ao provedor Proton Mail.

A mensagem do presidente mencionada pelo funcionário informa que a companhia encomendou centenas de novos computadores para substituir aqueles que foram contaminados. Além de ficar sem serviço de e-Mail a Hexion ficou também sem o seu site, já que o servidor de web também caiu. Há informações de que para contornar o problema ela abriu um domínio temporário.

 

Como um ransomware pegou a Norsk Hydro pelo AD

Alerta sobre o problema na entrada da empresa

Hoje é sexta-feira, são 5 da tarde no Brasil e 9 da noite em Oslo, capital da Noruega. Na sede da Norsk Hydro, empresa com mais de 100 anos e 35 mil funcionários, tem um monte de gente trabalhando (embora isso não seja um hábito nos países nórdicos). Essas pessoas estão tentando desatar o nó causado pelo ransomware que atacou a empresa na terça-feira passada. 

Já são quatro dias de batalha e a empresa admite que ainda não é possível determinar quando as operações retornarão à normalidade. Como também é cedo para avaliar os exatos impactos financeiro e operacional. A Hydro é um dos maiores produtores de alumínio do mundo e um impacto em sua produção se reflete na estratégia industrial de muitos países. Inclusive do Brasil. Aqui, a Hydro tem uma operação em Barcarena (PA) chamada Alunorte, onde processa bauxita e produz alumina. Segundo a empresa, a produção da Alunorte não foi prejudicada e ela opera dentro da normalidade.

Ataque direcionado

Gente do mundo inteiro está trabalhando para resolver o problema já que a Hydro decidiu não gastar nenhum centavo de Euro para pagar os criminosos, até porque ela é uma empresa que tem ações na bolsa e não pode se curvar desse jeito ao crime. As primeiras suspeitas indicam que esse ataque foi cuidadosamente planejado para a Norsk Hydro e por isso há policiais noruegueses e da Europol investigando o assunto.

Na minha modesta opinião, o problema não é só da Norsk Hydro. A dimensão dele tem alcance global e deve causar enorme preocupação em todas as corporações, independente do tamanho que tenham.

Nenhum antivírus pegou

O fato de ter sido contaminada pelo ransomware Lockeroga não implica qualquer descuido ou negligência da empresa. Esse mesmo ransomware atacou uma companhia francesa em Janeiro, e ainda não se sabe como ele entrou na Hydro. Mas já é possível afirmar que ele não estava sendo detectado por nenhum antivírus ou qualquer outra solução de proteção de endpoint.

Essa revelação foi feita pelo especialista inglês Kevin Beaumont no dia 8 de Março. Ele capturou uma amostra desse ransomware e enviou ao Virustotal para verificar que solução podia detectá-lo. Descobriu nesse momento que NENHUMA das 67 soluções detectava aquele código. Ele conta que comentou isso no Twitter, que discutiu o assunto com outras pessoas e tentou entrar em contato, sem sucesso, com fabricantes de antivírus para fazer um alerta. Mas não conseguiu, conforme revelou no seu Twitter.

Num artigo que escreveu para o portal Doublepulsar, publicado na manhã de hoje,  ele conta que todos os sistemas atingidos pelo LockerGoga tinham quatro características-chaves: 1) todos rodavam Microsoft Windows; 2) todos os arquivos, incluindo alguns de sistemas, foram criptografados; 3) todas as interfaces de rede nos sistemas foram desabilitadas; e 4) foram alteradas as senhas em todas as contas de usuários locais.

Office 365 salvou

Apesar de os sistemas estarem comprometidos, a empresa continuou se comunicando por e-mail porque utiliza o Office 365 e portanto essa parte não foi afetada. Para comunicação com o público externo foi utilizada a página da empresa no Facebook, já que o seu site ficou fora do ar. A seguir foi levantado um site temporário na nuvem Azure, da Microsoft. Depois, o DNS foi movido para o Cloudflare, para ficar protegido de DDoS.

O certificado digital utilizado para assinar o ransomware, segundo Kevin, havia sido usado para assinar também outros códigos maliciosos. Nesse caso, ele foi emitido para uma empresa que tinha um capital de apenas uma libra. Depois de ser informada desse fato a autoridade certificadora revogou o certificado é claro.

Cópia foi feita pelo AD

Pela análise do especialista inglês, o LockerGoga não tem código apropriado para se reproduzir ou se propagar. Quer dizer que não pode se auto-replicar numa rede como outros ransomwares como o WannaCry ou o Notpetya.

A hipótese de Belmont é que para isso os atacantes buscaram obter credenciais do AD, o Active Directory dos servidores Windows. É possível, segundo ele, que tenham sido usados tarefas ou serviços agendados. Uma vez dentro da rede, ele supõe, seria necessário ter privilégios de administrador de domínio para fazer o ataque. Normalmente, nas empresas e isso é extremamente fácil segundo o especialista, simplesmente pescando logins fora da memória utilizando o software Mimikatz. Ou pegando senhas do Active Directory Group Policy Preferences, que ele supõe estarem nos arquivos XML, “na verdade a ‘carne-de-vaca’ dos Red Teams”.

Como quer que tenha ocorrido, afirma Kevin, os criminosos tinham  a administração do domínio. Estando nessa condição, segundo ele, é possível colocar o executável num local onde todos os sistemas da organização possam alcançá-lo, e com a vantagem de os firewalls das organizações normalmente aceitarem todo o tráfego interno.

Proteção de endpoind

Feito isso, supõe Kevin, o ataque estava resolvido, mas poderia ser bloqueado por qualquer solução de proteção de endpoint. Só que elas não tinham a informação para deter o LockerGoga.

Segundo Kevin Beaumont, uma das possibilidades é também colocar o arquivo num Domain Controller, dentro da pasta de share do NETLOGON, debaixo do SYSVOL, que é replicado dentro de todos os sites de um controlador de domínio. Depois, pode-se usar uma política de grupo (como a criação de tarefas agendadas) para automaticamente iniciar o executável do LockerGoga.

A seguir, qualquer laptop, desktop e servidor conectado ao Active Directory executa o software malicioso, afirma  o especialista.

 

Ransomware fisga fabricante global de alumínio

A empresa Norsk Hydro, décimo maior produtor de alumínio do mundo e segunda maior empresa em número de funcionários na Noruega, ainda não se recuperou do ataque do ransomware LockerGoga, anunciado terça-feira. No seu comunicado de hoje sobre o assunto, a empresa diz que “com uma abordagem sistemática, nossos especialistas estão, passo a passo, restaurando funções críticas de TI para garantir produção estável, atender nossos clientes e limitar o impacto financeiro. A raiz dos problemas foi detectada, uma cura foi identificada e, juntamente com parceiros externos, incluindo autoridades de segurança nacional, os especialistas da Hydro estão trabalhando para reverter os sistemas infectados por vírus para um estado pré-infectado”. 

Gravidade

Não está escrito mas todo mundo consegue ler o seguinte: a encrenca foi MUITO feia e o conserto ainda pode demorar, mesmo a empresa tendo um plano de recuperação de desastres, conforme é reconhecido por especialistas. Foi um azar da nova CEO Hilde Merete Aasheim, que tomou posse dia 15. 

Os problemas se tornaram públicos às 8:30 da manhã de terça-feira, quando a empresa fez a comunicação do fato à bolsa de valores de Oslo, admitindo que “os sistemas de TI na maioria das áreas de negócios estão afetados e a Hydro está mudando as operações para o modo manual, tanto quanto possível”. Na terça-feira ainda houve mais três comunidados de atualização para os investidores descrevendo a situação e uma entrevista coletiva conjunta do CFO da empresa, Eivind Kallevik, e da CSO da Hydro. Eles admitiram que a situação era bastante grave e que por isso os sistemas da Noruega haviam sido isolados para não contaminarem os das outras operações. Entre elas as operações da brasileira Alunorte, em Barcarena, Pará. Daquele momento em diante, grande parte da operação da Hydro passou a ser feita manualmente, porque o religamento de sistemas ampliava o risco de contaminação.

Foi pelo AD

Segundo o especialista Kevin Beaumont, o LockerGoga atacou em janeiro a empresa de enegenharia francesa Altran e provavelmente se espalhou com a ajuda do Active Directory. “Pensando como um invasor, se você tiver em mãos o administrador de domínio, coloca o ‘.exe’ na pasta ‘Netlogon’ e ele se propaga automaticamente para cada Controlador de Domínio. Em seguida, cria uma política de grupo (GPO) para ser executada em cada PC e servidor no nível superior”.

Apesar da gravidade da situação, a diretoria e o conselho da Rádio decidiram não pagar o resgate pedido pelo ransomware.

No seu relatório anual de 2018, publicado seis dias antes (quarta-feira da semana passada), a Hydro coloca os cyber ataques em oitavo lugar na lista dos maiores riscos reconhecidos para a operação da companhia. No mesmo documento, a empresa informa que em 2018 foi intensificado o treinamento dos funcionários para ficarem alertas aos ciberataques.

 

Entenda o que aconteceu ontem com o Facebook


Mais ou menos às 14h de Brasília o Facebook, o WhatsApp e o Instagram começaram a exibir problemas no mundo inteiro. O problema só parece ter sido resolvido pela meia noite na Califórnia, quando eram 5h da manhã em Brasília.

Várias teorias surgiram enquanto o Facebook não dizia quase nada no Twitter. Uma dessas teorias indicava que o Facebook estava sendo atacado com DDoS (ataque distribuido de negação de serviço), mas não foi isso que aconteceu. Quem conhece redes e tecnologia sabe que um ataque desse tamanho não é impossível mas, ao menos por enquanto, improvável.

Para esclarecer o assunto eu entrevistei o Bruno Prado, CEO da UPX, uma empresa especializada não somente em segurança da informação como, também, dona de uma grande rede de entrega de conteúdo (CDN ou content delivery network).

Assista a entrevista do Bruno Prado e entenda o que pode ter acontecido.